Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 23/09/2020

Em 1946, a OMS definiu que a saúde é o conjunto de características que refletem o bem-estar. Sendo assim, é notório que as condições acerca do parto são englobadas em tais questões. Dentre as discussões referentes ao tema, está a promoção do aumento da humanização do parto, no Brasil. Há quem defenda o parto humanizado, cuja conceituação pode se referir ao parto normal, enquanto outros, asseguram as vantagens da cesária. Destarte, cabe avaliar ambas as perspectivas e considerar que, independente da escolha, deve-se conduzir com primor o esclarecimento à família.

Primeiramente, o parto normal tem recebido apoio de especialistas, principalmente por questões como declaradas pela OMS, que infere que a cesária deve ser realizada em caso de complicações, admitindo-se até 15% dos casos, cenário bem distante dos 53%, no Brasil, conforme publicação da UFMS. Segundo tais profissionais, os benefícios do parto normal são diversos, para a parturiente e o bebê, uma vez que, em comparação à cesária, o risco de morte é reduzido, além de evitarem-se desdobramentos de um parto prematuro. Ademais, considerando-se o Código de Ética Médica, aqueles profissionais que, admitem como primordial o risco de morte, têm respaldo para apoiar o planejamento do parto normal, estando assim, fundamentadas as suas ações.

Por outro lado, apesar dos benefícios do parto normal, existe a possibilidade de sequelas para a parturiente, de forma que uma parcela de profissionais e gestantes optem pela cesária. Segundo o professor e médico, Hans Peter Dietz, doutor em uroginecologia, dentre os riscos do parto normal estão o prejuízo à musculatura pélvica e possibilidade de laceração muscular, os quais podem gerar incontinência e problemas sexuais. Outrossim, o obstetra Eduardo Cordioli afirma que a idade da mãe e tamanho do bebê colaboram para complicações, no entanto, não são regras, cabendo análise junto à paciente. Logo, é interessante considerar os pontos positivos da cesária e é recomendável avaliar cada caso individualmente, com a devida dedicação médica e informação à paciente.

Portanto, é incontrovertível que, diante da recomendação da OMS, deve-se promover a ascendência no número de partos humanizados, não abstendo-se jamais de considerar cada caso clínico e a conscientização à família. Cabe aos médicos fomentarem a escolha, por parte da mãe, ao modo de parto mais cabível ao seu perfil e instruírem detalhadamente, em linguagem apropriada ao público, proporcionando uma escolha transparente. Dessa forma, cumpre-se a ideia construída de que, mais humano que optar pelo parto humanizado, é humanizar a conduta médica, que pode permitir que a mãe seja a esclarecida dona de sua escolha.