Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 23/09/2020
Desde o século XIX quando, segundo o periódico Veja, a medicina conseguiu difundir o uso da anestesia, outros procedimentos mais invasivos tem sido desenvolvidos e amplamente incorporados à rotina obstetrícia de forma desarrazoada. O Brasil é um dos países que usa o parto cesariano sem a devida necessidade e agora existe um desafio no sentido de promover o parto humanizado nesse país.
No Brasil o número de partos não humanizados na rede pública chegaram aos 40% e na rede privada aos 84% segundo o Ministério da Saúde(2014), números preocupantes uma vez que de acordo com a Organização Mundial da Saúde(OMS) o número adequado de partos cesarianos deve girar em torno dos 15% do total e devem ser utilizados apenas em casos emergenciais, que põe em risco a vida do bebê ou da gestante.
O desafio agora é desatrelar da cabeça do brasileiro a ideia de que o parto cirúrgico é mais seguro para a mulher e mostrar que o parto humanizado é muito mais que um mero procedimento. No passado, a falta de simples técnicas de higienização poderiam levar as futuras mães ao óbito através de infecções adquiridas durante o parto, além disso a promessa de um parto “indolor” e com hora marcada são extremamente atrativas quando a falta de conhecimento guia suas ações. O parto humanizado não se trata de um tipo de parto onde ambiente, equipamento ou outras funções externas o determinam mas sim de uma forma de empatia onde o singelo fato de se por no lugar do outro muda radicalmente todo o procedimento.
A solução para esse desafio deve vir em dois viés, primeiro devem haver políticas públicas de disseminação de informação para que pais tenham a real consciência do que é o parto humanizado e de que o cesariano deve ser usado em caso de emergências, e segundo uma cobrança maior aos médicos para que procedimentos cirúrgicos não sejam usados levianamente.