Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 23/09/2020
Pesquisas mostram que mais de 70% das mulheres gostariam que seus filhos nascessem de parto normal. Entretanto são desencorajadas com o tempo, fazendo com que mais de 500 mil cesáreas sejam feitas desnecessariamente no Brasil. A cesariana, quando não tem indicação médica, ocasiona riscos desnecessários à saúde da mulher e do bebê. No entanto, falta informação acessível às mulheres para que possam se preparar adequadamente para o parto. Continuar assim, vai apenas reduzir a quantidade de mães e crianças saudáveis no país.
O parto humanizado não pode ser entendido como um “tipo de parto”, pois a humanização do parto é um processo e não um produto que nos é entregue pronto. A cesárea é um procedimento caro, onde os hospitais lucram bastante, e cujo custo poderia ser enviado para outros setores. A cirurgia requer mão de obra mais qualificada, além de causar inúmeras consequências, como: a depressão pós-parto e infecções hospitalares. Precisamos nos conscientizar acerca desses riscos. Assim, poderemos realocar milhões de reais para cuidarmos, do desenvolvimento e não só da parte de nascimentos de nossos cidadãos.
No Brasil, mais da metade dos partos anuais são cirúrgicos. De acordo com o Ministério da Saúde, 40% dos brasileiros nas redes públicas nascem dessa forma. Na rede privada, 84%. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a porcentagem adequada seria em torno dos 15%, pois a cirurgia só é indicada em casos emergenciais, já que põe em risco a gestante e o bebê.
Todavia, a falta de informação acessível para as mulheres, faz com que a maioria delas escolha a opção da cesárea, que é vista como a mais “segura”, com data e hora marcados na maternidade ou hospital. Entretanto a cesariana, quando desnecessário, pode causar riscos à saúde da mulher e do bebê: o parto prematuro aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe.
Em suma, devemos estimular o parto humanizado. No entanto, é necessário a divulgação em redes sociais, acerca dessa modalidade de parto e dos riscos que a cesárea pode causar. O foco da campanha, é claro, devem ser sempre as mães e a saúde delas e de seus filhos. Ademais, deve-se recorrer ao Governo Federal para contratarem mais profissionais treinados para essa área, aumentar a quantidade de leitos e até mesmo, se preciso, a punição para médicos que solicitam cesárea sem que haja extrema necessidade. Dessa forma, para um futuro do Brasil, o país deveria focar antes de tudo, na saúde física e psicológica das mães, ao invés do lucro fácil e do comodismo que podem prejudicar vidas.