Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 23/09/2020

O parto humanizado é um processo que busca trazer melhores condições para as mulheres e os bebês na hora do parto, deixando o processo de uma forma mais natural possível, dando mais abertura a eles sentirem o processo de acordo com o momento do corpo. No Brasil, esse conceito surgiu na década de 80, no entanto, ainda não recebe a atenção necessária, visto que ainda há o medo da dor do parto, além da violência obstétrica, sem contar a influência da cesária como o método mais seguro e pontual de se ter um filho.

Com isso, o Brasil acaba por se tornar o líder em cesarianas, de acordo com dados do Ministério da Saúde, onde 84 por cento dos brasileiros da rede particular e 40 por cento na rede pública nascem assim, já que é um método vendido como mais seguro em todos os casos, rápido, já que as cirurgias duram, em média, duas horas, e garantia do nascimento saudável do bebê. No entanto, o método com intervenção cirúrgica totalmente artificial, também por ser mais lucrativo, acaba por ser influenciado no sistema de saúde brasileiro, causando à gestante o pavor de um parto mais humanizado por conta de possíveis dores.

Também, há a questão da violência obstétrica, que muitas mulheres sofrem, principalmente, em partos normais, que exigem mais tempo junto com as enfermeiras que a acompanham, que muitas vezes não tem paciência para com a gestante, além de procedimentos artificiais como o corte no períneo para que haja o aumento do canal do parto e a injeção de oxitocina, que aumentam as contrações dolorosas, de acordo com a médica obstetra Carmen Diniz. Assim, evidencia-se a necessidade de melhores condições às gestantes.

Logo, o Ministério da Saúde deve, juntamente com o Ministério da Educação, investir em formação acadêmica dos médicos obstetras, além das enfermeiras obstetras e as que vão acompanhar,  para que o parto mais humanizado seja evidenciado, e, mesmo que haja a necessidade de intervenção cirúrgica, que o acompanhamento e sua realização sejam de forma mais humanizada possível, respeitando o delicado processo do parto e evitando quaisquer violências obstétricas. Além disso, promover o investimento nos leitos dos hospitais públicos e particulares, com equipamentos onde possam haver estímulos naturais ao parto e tecnologias no acompanhamento para que seja da forma menos sofrida possível. Assim, promovendo uma maior humanização no processo de nascimento dos bebês, com uma boa experiência para mães e filhos.