Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 23/09/2020

No Brasil - país detentor dos maiores números de cesárias - a humanização de partos é uma readequação do modelo feito majoritariamente, que em contraposição,  visa respeitar os processos biológicos da mulher progenitora e de seu bebê. Dessa forma, o desejo de não contar com a intervenção cirúrgica é, muitas vezes, associado à liberdade individual e ao direito das futuras mães, fatores reconhecidos, portanto, como reivindicações feminista, que objetivam o autoconhecimento e preservação da maternidade natural, assim como a autonomia da escolha do ambiente, dos acompanhantes, e das diversas variáveis que adornam esse momento. Tais processos mostram-se necessários para evitar a passividade perante à obstetrícia,  que pode ser extremamente invasiva, e  responsável por desencadear complicações como nascimentos prematuros e mortes desnecessárias.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, trezentas e três mulheres morrem durante o parto, e 2,6 milhões de bebês já nascem sem sinais vitais e, em complemento aos dados, o Ministério da Saúde aponta que 55% dos partos anuais são cirúrgicos, e que nove em cada dez mortes maternas são resultantes de alguma falha do serviço de saúde que poderia ter sido facilmente evitada. Contudo, a preferência por essa modalidade não apenas transcreve-se um falso sentimento de segurança durante o procedimento, mas também, alto nível de desinformação, visto que, além do que foi posto, a OMS ainda postula que deveriam ser feitos, no máximo, 20% de nascimentos por cesarianas.

Evidenciado na série “Good Girls” pela personagem Nancy durante seu processo de pré-natal e parto, os sentimentos que acompanham a humanização “vão além dos valores morais, mas se relacionam com o contato da maternidade natural”, que usufrui de seu contato com a criança pelo cordão umbilical até o último segundo. Da mesma forma, as mulheres que optam por esse sistema definem-se como empoderadas e sua recuperação pós-parto é mais leve do que a recuperação de uma cirurgia, segundo a revista Scielo. Estimativas feitas pela mesma revista mostram que 75% das mulheres desejam fazer o parto humanizado, mas desistem pelo medo da dor.

Em suma, cabe aos representantes da saúde pública e privada, como o Ministério da Saúde, que apresentem campanhas de conscientização, e apresentem todas as informações pertinentes às futuras mães. Desencadeando, por fim, a transferência do poder peno de escolha à elas, afim de diminuir a intervenção cirúrgica no Brasil, e ampliar os direitos da maternidade.