Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 23/09/2020
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Fora da ficção, é fato que o mito apresentado assemelha-se com a contemporânea questão da humanização do parto no Brasil, haja vista barreiras de valores e egoísmo social que impedem a gestante a esse direito. Nesse sentido, cabe analisar os fatores que favorecem esse quadro e suas consequências.
Vale ressaltar, a princípio, segundo o Ministério da Saúde, 55% dos partos anuais são cirúrgicos, os mesmos que 75% não seriam necessário esse procedimento. Essa conjuntura, de acordo com Zygmunt Bauman é explicada pela modernidade líquida, que explica a queda de atitudes éticas pela fluidez de valores, a fim de atender os interesses pessoais, aumentando o individualismo. Desse modo, o médico, ao estar imerso nesse panorama líquido, acaba negligenciando o parto mais humanizado da gestante devido ao encarecimento da cesárea em relação ao parto normal, o que perpetua devido a falta de informação social.
Além do mais, é notório um papel inexorável à sociedade como um empecilho na humanização do parto, a qual ao analisá-la sob a perspectiva da teoria do Habitus do sociólogo Pierre Bourdieu, essa apresenta padrões que são impostos, naturalizados, e posteriormente reproduzidos. Sob este viés, com a influência e recomendações médicas, foi naturalizado a adoção de partos cesarianos mesmo sendo de maior risco, postergando tais atitudes até hodiernamente. Assim, uma mudança de valores na população é fundamental para transpor obstáculos a esse cenário.
Conforme informações supracitadas, ficam evidentes desafios ao que tange a humanização, sendo necessário intervenções. Logo, o Governo Federal deve criar uma legislação acerca de procedimentos do parto, prevendo a criminalização daqueles que forcarem a escolha do processo contra a vontade da mulher, a fim de diminuir os casos de cesárea sem necessidade e promover o parto normal. Outrossim, o Ministério da Educação deve por meio de palestras nas escolas conscientizar a importância do parto natural, com o intuito de ultrapassar valores arcaicos.