Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 15/03/2019

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Nesse trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, observa-se que determinado problema se configura como um obstáculo na vida de muitos brasileiros. Nesse contexto, atualmente, a ausência de projetos eficientes de saneamento básico em consonância com a mínima pressão popular são as maiores “pedras” no caminho para aprimorar o deficiente saneamento básico brasileiro.

Conforme os dados divulgados pelo Instituto Trata Brasil, em 2016, apenas 44% da população possuía acesso ao encanamento e tratamento de esgoto no país. A ausência de projetos eficazes que garantam a coleta, o transporte e o tratamento do esgoto, contribuem para o acúmulo de resíduos sólidos no meio ambiente que acabam impulsionando a poluição e a propagação de doenças como a febre tifoide, cólera e a leptospirose. Dessa maneira, com o ambiente poluído e contaminado a população fica suscetível a doenças fatais e extremamente contagiosas. Logo, a ausência de programas eficientes de saneamento básico acabam perpetuando o problema.

Outrossim, destaca-se a omissão da população na luta por seus direitos, como impulsionador do problema. De acordo com o ativista e político indiano, Mahatma Gandhi, nunca teremos noção dos resultados de nossas ações. Mas se não fizermos nada, não existirão resultados. Ao seguir essa linha de raciocínio, observa-se que a permanência da problemática do saneamento básico precário se encaixa no pensamento de Gandhi, uma vez que a mínima pressão popular na luta pelo direito ao saneamento básico faz com que os governantes continuem a prolongar a escassez de investimentos no tratamento de esgoto da população. Dessa forma, grande parcela da população permanece sem esgoto canalizado, habitando em ambientes contaminados e suscetíveis a doenças fatais.

Infere-se, portanto, que os problemas se mostram uma grande pedra a ser removida do caminho para o desenvolvimento. Para que isso ocorra, é necessário uma parceria entre o Governo Federal e empresas privadas de tratamento de esgoto, por meio da redução de impostos, a fim de que essas empresas garantam a coleta, tratamento e canalização do esgoto em bairros degradados, assegurando o saneamento básico da população, e evitando a contaminação do meio ambiente e a propagação de doenças. Ademais, é fundamental que a população se torne mais ativa e lute por seus direitos, por intermédio de mídias sociais, organização de passeatas e protestos, com o intuito de cobrar o cumprimento das leis pelos governantes, com a finalidade de garantir e assegurar os seus direitos.