Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 23/09/2019

Eclodiu em 1904 a Revolta da Vacina, movimento o qual a população rebelou-se contra o projeto de vacinação forçada e desinformada de Oswaldo Cruz. Hodiernamente, a população apresenta impasses para a efetivação do cumprimento do calendário de imunização proposto pela Organização Mundial da Saúde. Nessa perspectiva, é premente analisar os principais desafios para a realização desse: falta de informação à população e desorganização governamental.

Em primeira análise, é lícito postular a desinformação como fator característico no agravamento desse problema. Segundo o site de notícias G1, em 2018 somente 65,92% das crianças foram vacinadas. Fato o qual está interligado com o auge dos movimentos antivacinas, o qual propaga a ideia sobre supostos malefícios e insignificância de tais medidas profiláticas. Ou seja, esses protestos são movidos pela desinformação. Ademais, é necessário enfatizar o papel da internet como ferramenta disseminadora desses discursos falaciosos, uma vez que se trata de uma sociedade hiperconectada, como afirma Pierre Lévy. Desse modo, nota-se a necessidade de fragmentar esse pensamento.

Faz-se mister, ainda, salientar o desarranjo do Governo na distribuição de imunofensores e no desenvolvimento de carteiras de vacinação eficientes. De acordo com o Ministério da Saúde, as campanhas contra a gripe atingiram 52,95% da população do Acre enquanto em Santa Catarina esse número foi de 82,2%. Como resultado, tem-se a nítida desigualdade no acesso a saúde. Ainda, observa-se no país a utilização de um método primitivo no registro de vacinas, com a utilização de papel, o que facilita na perda desses pelos indivíduos e, consequentemente, a incerteza acerca de quais produtos já foram aplicados. Dessa maneira, é fundamental disponibilizar o acesso democrático a todos e a adaptação do sistema.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas aptas a superar os desafios da imunização brasileira. Logo, urge que o Ministério da Saúde, em parceira com os Centros Educacionais Unificados, desenvolva programas aos finais de semana com pais e filhos, com o intuito de informar o que são as vacinas, como agem no organismo e sua importância para a saúde pública, com o objetivo de acabar com movimentações contra elas. Por sua vez, o Governo deve disponibilizar mais Unidades Moveis de Vacinação em areais periféricas, por intermédio dos impostos populacionais, além de desenvolver carteiras digitais, com o objetivo de democratizar a aquisição e evitar duvidas, respectivamente. Dessa forma, será possível caminhar para uma sociedade informada e bem preparada, em contrapartida aquela de 1904.