Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 24/09/2019

Consoante Emile Durkheim, sociólogo francês, a sociedade é como o corpo humano, possui partes, necessidades e relações de interdependência. Nesse sentido, a combinação do avanço da medicina com aos anseios coletivos propiciaram o desenvolvimento de métodos efetivos para suprir as necessidades do corpo social, como, por exemplo, a vacinação, a fim de controlar epidemias generalizadas. Entretanto, os bônus provenientes do advento das vacinas encontram-se ameaçados hodiernamente, já que o desequilíbrio entre as partes da anatomia social têm gerado impasses que inviabilizam a difusão da imunização total para a grande massa.

A priori, é importante salientar que a negligência estatal fomenta a desestabilização das relações entre a saúde e a população. De acordo o artigo 196 da Constituição Federal de 1988, todo o indivíduo tem direito universal e igualitário à saúde de qualidade no Brasil, e é dever do Estado aplicar políticas públicas que facilitem a erradicação de patologias. Em contrapartida, observa-se no cenário brasileiro, entraves que contestam essa temática, uma vez que a lotação do serviço nos grandes centros somado à falta de vacinas e campanhas efetivas, promovem a precariedade do serviço. Por conseguinte, o número de pessoas infectadas com enfermidades é crescente, prova disso é a atual epidemia de sarampo nas cidades litorâneas brasileiras, a qual já afetou cerca de 5000 mil crianças conforme dados do G1.

Além disso, a desinformação social aliada a “teorias conspiratórias” no ambiente virtual dificultam o serviço de imunização no contexto brasileiro. Historicamente, essa perspectiva é reforçada pela Revolta da Vacina ocorrida na Primeira República, na qual um motim foi realizado pelos cariocas em retaliação à obrigatoriedade da vacinação contra a varíola. Em razão de semelhança, assim como os cariocas acreditavam na possibilidade das vacinas serem prejudiciais à saúde, acontece atualmente com a divulgação de vídeos e notícias de conteúdo falso, que afirmam que o ideal de imunidade, é na verdade, disseminador de patologias.

Dessa maneira, aqueles que não seguem as convicções do Estado acabam prejudicando até mesmo os indivíduos que tem essa consciência, haja vista que o maior problema da não imunização, é o contágio que pode atingir todos os estratos sociais. Em vista dos dados apresentados, medidas devem ser aplicadas para solucionar os impasses que a vacinação enfrenta atualmente. Em primeiro plano, o Poder Legislativo deve criar um projeto de lei que torne obrigatório a divulgação de campanhas de vacinação nas mídias sociais, a fim de evitar o desconhecimento público sobre as vacinas disponíveis para aplicação. Outrossim, uma aliança entre o Poder Judiciário e o Ministério da Saúde deve ser feita para que o trabalho em conjunto reprima as “teorias conspiratórias” a partir de relatos e documentos científicos que comprovem a veracidade do objetivo imunizador. Ademais, almejando a disponibilidade constante de vacinas e a melhor qualidade do Sistema Único de Saúde (SUS), investimentos devem ser realizados nesse setor, por meio de maiores repasses dos tributos federais. Dessa forma, será possível reestabelecer o equilíbrio do esqueleto social.