Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 19/09/2019

De acordo com a Constituição Federativa Brasileira, promulgada em 1988, é previsto o direito à habitação, segurança, educação e saúde. No contexto atual, entretanto, tal cenário idealizado não se estende à questão da vacinação, visto que a persistência dos desafios, em pleno século XXI, representa um retrocesso salutar ao país. Nesse sentido, convém analisar como o tecido social e o poder público impactam negativamente nessa problemática.

Em primeiro lugar, a ausência de informação dos brasileiros à respeito dos mecanismos da vacina apresenta-se como relevante para a não imunização e, consequentemente, adesão aos movimentos antivacinação. Isso acontece, pois a imposição da obrigatoriedade pelo governo alinhado à ignorância da sociedade sobre o assunto corrobora o sentimento de desordem, como ocorreu no Rio de Janeiro em 1904, na Revolta da Vacina. Dessa forma, a existência de falhas na base educacional favorece a permanência e propagação desse viés falacioso.

Por conseguinte, a negligência e inoperância estatal representa um impedimento para melhoria na distribuição das vacinas. Isso é afirmado, uma vez que a cobertura vacinal do Brasil foi de 71,04% em 2018, de acordo com dados divulgados pelo Programa Nacional de Imunização. Dessa maneira, é inadmissível a perpetuação desse cenário em detrimento do bem-estar do indivíduo, visto que contradiz os ideais garantidos na Constituição.

Fica evidente, portanto, que os desafios para garantir a vacinação dos brasileiros são intensificados pela sociedade e pelo poder público. À vista disso, faz-se necessário que o Ministério da Saúde promova o acesso à informação sobre os benefícios da vacina, por meio de campanhas publicitárias frequentes, a fim de desmoralizar qualquer movimento contrário. Além disso, o Estado, em parceria com empresas privadas da área salutar, deve realizar o mapeamento e inclusão das regiões remotas, com o objetivo de aumentar as unidades de imunização públicas. Somente assim, os direitos garantidos na Constituição deixarão de serem teóricos.