Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 19/09/2019

Na década de 70, a varíola - que protagonizou a famosa Revolta da Vacina, em 1904, foi, finalmente, dada como doença erradicada no Brasil. O fato, muito marcante, foi um empurrão para a criação do atual PNI - Programa Nacional de Imunizações. Ele é referência internacional em saúde pública, mas, infelizmente, vê sua eficácia ameaçada. Atualmente, a principal ameaça à cobertura vacinal no país é a desinformação, que leva especialmente pais de crianças e recém-nascidos a negarem o direito à saúde de seus filhos, não os vacinando - tendo como base razões sem nenhum alicerce científico.

Em primeiro lugar, existe uma conjuntura epidemiológica que contribui para a queda na cobertura vacinal: a erradicação de doenças. À primeira vista, parece tratar-se de um paradoxo, mas, na verdade, trata-se da incapacidade de muitos em perceber relações de causalidade. Isso pois doenças atualmente erradicadas desfrutam desse status devido, justamente, às vacinas. Entretanto, por não conviver com tais ameaças desaparecidas, parte da população toma esse cenário como garantido, tornando-se despreocupada e não se vacinando. Como consequência, vê-se a volta de diversas mazelas, como o sarampo, doença da qual o Brasil não mais é oficialmente livre, graças ao reaparecimento de milhares de casos em 2018.

Ademais, existe uma causa ideológica para a queda no número de vacinações no país: o movimento anti vacina. Trata-se de pessoas que acreditam que as vacinas produzem mais mal do que bem e, assim, opõem-se a vacinação, não imunizando a si mesmas e aos seus filhos. Por trás, está a crença de que os possíveis efeitos colaterais sobrepõem-se ao bônus de ser imunizado contra uma doença, ou a de que sofrerão efeitos os quais a ciência não corrobora - como o caso da vacina tríplice viral e autismo. Há alguns anos, houve um alarme falso de que essa vacina desencadearia o autismo, o que foi rapidamente refutado pela ciência, mas, de certa forma, permanece no imaginário popular.

A partir do exposto, torna-se evidente o quanto a desinformação desempenha papel na queda dos números vacinais no Brasil. Desse modo, o Ministério da Saúde deve formar parcerias com empresas de tecnologia social, como YouTube e Facebook, para que essas veiculem, na tela de seus usuários, conteúdos que desmitifiquem crenças anti vacina e que alertem a população sobre o reaparecimento de doenças e a necessidade de se vacinar. Afinal, é por meio dessas mesmas plataformas que muitos consomem fake news e disseminam informações sem validade científica.