Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 11/09/2019
A Revolta da Vacina, ocorrida em 1904, foi movimento da população carioca contra um programa de vacinação de combate à varíola. De forma análoga, a sociedade hodiernamente está apresentando comportamento relapso com a vacinação. Tal fenômeno está aumentando o risco de retorno de doenças muito perigosas que já foram erradicadas ou estão sob controle. Ademais, o fato das atuais gerações não terem tido contato com muitas dessas doenças hoje controladas pelas vacinas patrocina o menosprezo das pessoas ao risco. Diante dessa perspectiva, é imperativo confrontar os aspectos relacionados com esse fenômeno social.
Mormente, percebe-se uma preocupante queda da porcentagem da população vacinada comprometendo a eficiência da imunização. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), considera-se uma população imunizada quando 95% desta tenha tomado a vacina. Conquanto, de acordo com dados do Programa Nacional de Imunização, a taxa de vacinação contra a poliomielite, por exemplo, despencou para menos de 85% em 2016: bem abaixo do limite de segurança estabelecido pela OMS. Portanto existe a chance real do retorno dessa terrível doença, já que o vírus da paralisia infantil ainda circula em outros países.
Nesse expediente, é importante ressaltar que a atual geração nunca teve contato com algumas doenças infecciosas que assolaram o país no passado, portanto não as temem e acabam por negligenciar a vacinação. Temos o exemplo da varíola foi erradicada do Brasil em 1973. Já a poliomielite, responsável pela paralisia de milhares de crianças, teve seu último caso registrado no país em 1989: há 30 anos. A baixa ocorrência faz com que elas caiam no esquecimento gerando o desleixo com a vacinação.
Dessarte, medidas são necessárias para o enfrentamento da diminuição da cobertura vacinal causada pela negligência da sociedade com a vacinação. Urge a necessidade do Ministério da Saúde realizar campanha publicitária, veiculada em rádio, televisão e mídias digitais, destacando o atual risco do retorno de graves doenças infectocontagiosas já controladas e erradicadas. Essas peças publicitárias devem exaltar os sintomas e o sofrimento infligidos aos acometidos com o intuito de sensibilizar a população para a emergência da necessidade da vacinação. Ademais cabe ao Ministério da Educação promover campanha, através de palestras e atividades artísticas, nas escolas de Ensino Médio, para disseminar o conhecimento sobre essas doenças já erradicadas e o risco real delas retornarem, caso a quantidade de pessoas imunizadas não aumente para os 95% preconizados pela OMS. Espera-se assim afastar o risco de retorno de doenças já vencidas pela vacinação.