Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 09/09/2019

Apenas teoria

Em 1952, o médico virologista Jonas Salk desenvolveu a vacina contra a poliomielite e contribuiu para o combate da doença no século XX. Entretanto, a negligência às campanhas de vacinação fragiliza a conquista de Jonas Salk e se mostra grave problema social. Com efeito, a efetiva cobertura pressupõe que se reconheça os desafios para garantir a prevenção dos brasileiros, sob pena de prejuízos à saúde.

A princípio, a resistência popular às campanhas de vacinação representa obstáculo para o controle de doenças. A esse respeito, o sanitarista Oswaldo Cruz implantou, em 1904, políticas de imunização obrigatória, que foram repudiadas pela população da época. Essa rejeição coletiva ficou conhecida como Revolta da Vacina e foi motivada por notícias falsas e por pouca -ou nenhuma- informação em torno das estratégias de prevenção. Ocorre que a resistência enfrentada no início do século anterior se mantém no Brasil contemporâneo, inclusive pelos mesmos motivos de 1904, e evidencia retrocesso à saúde pública. Nesse sentido, não é razoável que, mesmo sendo nação pós-moderna, ainda se mantenha o repúdio à vacinação combatido por Oswaldo Cruz.

De outra parte, a baixa adesão às campanhas se deve à ilusão de que as doenças deixaram de existir. Nesse viés, o médico Maurice Hilleman foi um dos responsáveis pelo controle do sarampo, após elaborar a vacina tríplice viral em 1963. Assim, houve redução do contágio e total eliminação da doença em 2016, como foi certificado pela OMS. Todavia, substancial parcela dos brasileiros nutre a falsa impressão de que o sarampo -e as demais infecções virais- restringem-se à época de Hilleman. Essa indiferença coletiva às doenças inviabiliza a sua prevenção e possibilita um dos problemas de grave eminência: a reemergência de vírus erradicados.

Impende, pois, que as campanhas de vacinação sejam tratadas com importância. Para isso, o Ministério da Saúde, em parceria com escolas, deve desconstruir ainda mais as notícias falsas como as que invalidam a eficácia das vacinas, por meio de aulas de biologia realizadas com frequência, para que a resistência à imunização deixe de ser realidade no país. Por sua vez, os indivíduos, manifestando seu senso crítico, podem veicular conteúdos nas mídias sociais com veemência, por intermédio de grupos de apoio ás campanhas vacinais, realizadas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde(SUS), a fim de que o controle de doenças virais seja incentivado. Assim, o efetivo combate iniciado por Jonas Salk deixará de ser apenas teoria para ser uma realidade brasileira.