Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 09/09/2019

No século XX, em função da ausência de conhecimento, a sociedade carioca se rebelou contra o projeto de vacinação obrigatória, proposto pelo médico Oswaldo Cruz, o qual visava minimizar os índices de varíola na região. Apesar do êxito desse intento, hodiernamente, a diminuição do número de vacinados ascendeu consideravelmente, quadro que gera possíveis retornos de doenças até então erradicadas no país. Nesse contexto, a falsa sensação de segurança e o crescimento dos movimentos antivacina são fatores que contribuem diretamente na intensificação da atual conjuntura brasileira.

Primeiramente, cabe destacar o impacto negativo do senso de proteção instaurado no Brasil. Sob essa ótica, nota-se que o sucesso do Programa Nacional de Imunizações, instaurado em 1975, em reduzir e erradicar doenças, como o sarampo e a poliomelite, causou uma despreocupação na sociedade atual, que atua de forma negligente quanto à vacinação. Consoante ao contexto, de acordo com uma matéria feita pelo jornal BBC, o Brasil registra, desde 2016, o desabastecimento de diversas vacinas, como as que previnem ambas as doenças supracitadas. Desse modo, reincidem no país tais enfermidades, como o sarampo, já diagnosticado,segundo dados da Universidade Federal de São Paulo(UNIFESP).

Ademais, é mister entender o malefício causado pelos movimentos antivacina. Nesse viés, fomentados por noticias falsas e concepções equivocadas a respeito das vacinas, como serem causadoras de distúrbios psicológicos nos receptores, resgatadas do século XX, os brasileiros se recusam a receber vacinação. Assim, inseridos no estágio de menoridade intelectual, segundo o filósofo prussiano Immanuel Kant, no qual são incapazes de discernir o conhecimento verdadeiro de falácias e passam a ser tutelados por notícias irreais, resultam no decréscimo de 30% do índice de cobertura vacinal, principalmente nas regiões norte e nordeste, de acordo com um estudo feito pelo Ministério da Saúde, por meio do PNI.

Destarte, conclui-se que tanto o sentimento de imunidade, quanto a propagação de notícias falsas sobre a vacinação, corroboram para a conjuntura contemporânea do Brasil. Desse modo, urge ao Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, associado ao PNI, conscientizar a população a respeito da importância da vacinação correta, por meio de debates, palestras,e do contado direto entre médico e paciente, explicando a necessidade da vacinação e os benefícios trazidos pelo ato, de forma fidedigna, a fim de minimizar e, novamente, erradicar reincidentes doenças. Desse modo, exclui-se não só o instaurado sentimento falso de proteção, mas também os movimentos antivacina, por meio da inserção do indivíduo no estágio de maioridade kantiana, emancipando-se intelectualmente, e, assim, o Brasil progride no que tange à saúde pública, distanciando-se do contexto carioca do século XX.