Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 29/08/2019

Na visão do filósofo inglês John Locke, cabe ao Estado a proteção a todos os indivíduos, bem como a garantia à vida, à propriedade e à liberdade, que são direitos inalienáveis. Entretanto, percebe-se que tais prerrogativas não são respeitadas, visto que a negligência e a falta de informação atuam na sociedade, impedindo a garantia à vacinação dos brasileiros, evidenciando a necessidade de mudanças.

É pertinente destacar a negligência à informação, uma vez que fontes falsas de informações disseminam as famosas “fake news”, dificultando a percepção social da real necessidade de se imunizar. Além disso, a Atenção Primária à Saúde (APS), serviço público que deveria ser a primeira via de acesso à saúde, não contempla boa parte do território nacional. Assim, a volta de doenças já erradicadas persiste em ameaçar o mundo, devido ao alto fluxo internacional de pessoas. De fato, a falta de conhecimento e acesso a saúde pública, culminam para uma pandemia de doenças já erradicadas.

É necessário destacar os benefícios trazidos pelas vacinas, que apesar de as vezes possuírem efeitos colaterais, estes os superam e permite a proteção da população. Assim, a imunização ativa induz a criação de anticorpos pelo organismo, já que esta possui a carga viral morta ou enfraquecida, e estes atuarão futuramente na presença do vírus. Além disso, ainda vale ressaltar, a falta de infraestrutura presente no país para a vacinação de todos, aliado à dificuldade de acesso a locais isolados, como por exemplo as populações ribeirinhas. Tal fato impede a total imunização para o controle do Estado da saúde pública.

Infere-se que a ausência de conhecimento e a dificuldade de controle do Estado da saúde pública, são, portanto, condições diretas para os desafios de garantir a vacinação dos brasileiros. Para contornar este panorama, ações do Estado, aliado ao Ministério da Saúde são imprescindíveis. Faz-se necessário campanhas de conscientização nas mídias que evidenciem o perigo de não se imunizar, salientando que doenças já erradicadas estão voltando a atingir populações não vacinadas. Agindo assim, o estado idealizado por Locke será real, e a construção de uma sociedade em que a saúde seja um valor substancial será uma realidade empírica, não um ideal ou uma utopia.