Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 28/08/2019

Controvérsias sempre acompanharam a história da vacinação no Brasil. Em 1904, a cidade do Rio de Janeiro, sob liderança do médico e sanitarista Oswaldo Cruz, determinou a obrigatoriedade da vacina contra a varíola. O fato desencadeou o episódio conhecido como Revolta da Vacina. Foi apenas na década de 70, entretanto, que essa doença foi oficialmente erradicada do país. E isso foi um empurrão para a criação do atual PNI - Programa Nacional de Imunizações. É referência internacional em saúde pública, mas, atualmente, vê-se ameaçado pela ineficácia do Governo Federal e, não menos, pelos indivíduos que compõem o ignorante “movimento anti-vacina”.

Em primeiro lugar, não é coincidência que os anos nos quais houve redução da cobertura vacinal foram aqueles marcados por crise econômica e política no país. Já que o PNI é, majoritariamente, responsabilidade do Governo Federal, seu andamento torna-se sensível à questões macro, alheias à saúde pública.

Outro fenômeno responsável pela baixa na vacinação -  que vem afetando outros países também - é o “movimento anti-vacina”. Por aqui, ele é, ironicamente, fruto das circunstâncias criadas pelo próprio PNI. Já que a vacinação no Brasil conseguiu erradicar tantas doenças, parte da população nunca conviveu com elas, passando, assim, a ter menos medo. Soma-se a isso a facilidade de disseminação de fake news e algoritmos que inserem usuários de redes sociais em bolhas de conteúdos semelhantes ao que ele vem consumindo. Como resultado, tem-se solo fértil para a manutenção de crenças ignorantes sobre as vacinas.

A redução da cobertura vacinal traz como consequência danos sérios à saúde coletiva. Não somente o surgimento de casos isolados de doenças tidas como erradicadas naqueles não vacinados, mas, também, consequências exponenciais e de longo prazo, como diminuição do efeito rebanho (imunização de grupo) - crucial para o controle de doenças - e oneração do Sistema de Saúde, devido aos novos casos.

Torna-se evidente que o país enfrenta desafios quanto à vacinação, apesar de possuir um bom Programa de Imunizações. Para superá-los, seria positivo que empresas de tecnologia, como Youtube e Facebook, adotassem estratégias para mitigar, manualmente, os conteúdos anti-vacina veiculados às plataformas, além de promover, para as pessoas que vinham consumindo-nos, conteúdos pró-vacinação.