Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 28/08/2019

O Brasil é um dos únicos países do mundo que possuem a maior parte das vacinas disponíveis de modo gratuito à população. Entretanto, apesar da taxa de cobertura de vacinação ser alta devido à acessibilidade, nota-se uma queda no comparecimento da população nos postos de saúde na época de imunizar-se. Isso ocorre por conta de fatores históricos que perpetuam o problema, além de informações falsas que atrapalham o desenvolvimento da saúde brasileira.

Diante desse panorama, é perceptível que a Revolta da Vacina, ocorrida na República Velha, foi o ponta pé inicial para o afastamento da população da imunização. Essa revolta foi causada pela obrigatoriedade de vacinar-se, o que causou desconfiança já que não se sabia os efeitos disso, no contexto de reforma sanitária no Rio de Janeiro. Nesse sentido, muitos boatos foram criados naquela época e permanecem até hoje. Seguindo a linha de raciocínio do filósofo Durkheim, o fato social ocorre com o molde dos comportamentos a partir das influências sofridas. Assim, as pessoas evitam se vacinar, apesar de terem informações, porque foram ensinadas que se o fizerem adquiririam autismo ou viveriam menos, já que se o governo disponibiliza algo de graça, isso não deve ser bom. Logo, vê-se um ciclo vicioso, já que o mesmo pensamento que circulava no século passado, mantem-se nos dias hodiernos.

Outrossim, a volta de doenças erradicadas tornou-se uma preocupação ímpar ao Brasil. De acordo com o filósofo alemão Schopenhauer, o homem só se importa com o que está em seu campo de visão. Logo, muitos deixam de se vacinar por não verem pessoas com as doenças –pois já foram erradicadas– como coqueluche e poliomielite. No entanto, o Ministério da Saúde afirma que deve haver continuidade das campanhas enquanto houver países com essas doenças porque, se houver imigrações, poderá haver epidemias de doenças antes erradicadas. Exemplo disso é o Brasil, que em 2019 perdeu o certificado de erradicação do Sarampo, pelo fato de estrangeiros contaminados terem infectado brasileiros no Norte do país. Portanto, o sucesso da vacina –com erradicações– de modo contraditório, pode interromper seu sucesso, já que as pessoas param de dar importância às imunizações.

Destarte, medidas são necessárias para garantir a vacinação dos brasileiros. Cabe ao Ministério da Saúde , por meio de rodas de discussão públicas e propagandas midiáticas, expôr o grande problema que a não vacinação desencadeia, como epidemias e a volta de doenças erradicadas, e responder dúvidas mandadas de maneira anônima, para desmistificar os boatos seculares, além de aconselhar as pessoas a checarem calendários de vacinação, para ver se estão em dia com sua imunização, com o intuito de que a sociedade entenda os benefícios de se vacinar e os problemas que podem ser gerados caso não a faça. Assim, o Brasil manterá sua posição de grande imunizador ao mundo.