Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 27/08/2019

“A vacina que mudou o mundo” é um documentário que relata como Jonas Salk, médico e pesquisador americano, conseguiu erradicar a poliomielite, através da vacinação. A inoculação de um vírus extremamente perigoso em uma criança fora bastante contestada pela população. Embora tenha passado várias décadas desde a confirmação da vacina como um método confiável contra doenças, atualmente grupos do movimento antivacina vêm crescendo, sobretudo no Brasil, de forma avassaladora. Tais grupos são impulsionados pelas “fake news” e poderão causar a queda da cobertura vacinal e, consequentemente, problemas de saúde pública brasileira.

É relevante abordar, primeiramente, que a informação é um bem de valor social, capaz de influenciar no processo de decisão do ser humano. Em 1998, o médico britânico Andrew Walkefield, fraudou um trabalho científico, no qual afirmava que a vacina tríplice viral, que protege contra o sarampo, caxumba e rubéola, causava o autismo em crianças. Apesar da comprovação da inexistência da relação entre a vacina tríplice e autismo, o médico conquistou inúmeros seguidores, os quais permanecem espalhando notícias falsas acerca das vacinas até hoje. Infelizmente, a consequência é grave, já que, o sarampo, erradicado do Brasil em 2016, voltou a circular no país com mais de mil casos confirmados até agosto de 2019, segundo o Ministério da Saúde.

Outro ponto importante a se avaliar é que uma escolha individual pode afetar a sociedade como um todo. Pais que optam por não vacinar seus filhos, o fazem por acreditar, dentre outros motivos, que não há mais o risco de adquirir o sarampo, por exemplo, visto que fora erradicada do Brasil há mais de 30 anos. Quando uma parcela da população decide não vacinar seus filhos, ocorre, consequentemente, a queda da cobertura vacinal, que permite a reintrodução do agente infeccioso no território brasileiro. Segundo dados do DataSUS, o percentual da cobertura vacinal diminuiu de 95%, em 2016 para 91%, em 2018. Esses dados são preocupantes, já que, de acordo com a OMS, um país precisa ter no mínimo 95% da população imunizada para ficar livre da doença.

Depreende-se, portanto, a necessidade de reverter esse quadro. Para isso, o governo federal deve intervir, por meio do Poder Legislativo, criando uma legislação específica para garantir a vacinação de todos os brasileiros. A garantia contará com o Código Penal, que deve criminalizar os pais ou responsáveis que não vacinarem seus filhos e, também, penalizar grupos do movimento antivacina, que espalham notícias falsas acerca dos efeitos colaterais das vacinas. Assim, a cobertura vacinal voltará aos 95% e as crianças terão suas vidas saudáveis e normais, como seus pais que foram vacinados.

A primeira dose da vacina tríplice viral, que imuniza contra o sarampo, chegava a toda a população em 2014. Esse percentual caiu para 96% em 2015, 95% em 2016 e 91% em 2017 e 2018, segundo dados do DataSUS. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que um país precisa ter no mínimo 95% da população imunizada para ficar livre da doença.