Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 17/08/2019

Desinformação e fragilidade

Durante a República Oligárquica, o presidente Rodrigues Alves implantou uma campanha de vacinação no Rio de Janeiro. Ela foi coordenada pelo médico Oswaldo Cruz e visava a erradicar doenças do meio urbano. No entanto, devido à desinformação, muitas pessoas se revoltaram, pois pensaram que a campanha fosse uma forma de eliminar a população pobre. Tal episódio ficou conhecido como “Revolta da Vacina”, e mais de 100 anos depois do ocorrido, mesmo após a consagração do potencial imunizante das vacinas, movimentos contra a vacinação voltaram a ocorrer, trazendo consigo a ameaça do reaparecimento de doenças que já haviam sido erradicadas.

Assim como no caso da revolta, as ações atuais contra a vacina são geradas pela desinformação. Um estudo do Instituto Reuters indica que 7 em cada 10 brasileiros se informam através das redes sociais. Esses espaços, porém, são os principais meios de disseminação de notícias falsas, como as de que a vacinação é prejudicial à saúde. Consequentemente, muitas pessoas deixam de se imunizar e de vacinar os seus filhos, fazendo com que a sociedade fique fragilizada frente a doenças contagiosas.

Essa fragilidade facilita a reincidência de moléstias muito perigosas. O número de infectados pelo vírus do sarampo em 2019, por exemplo, cresceu exponencialmente no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, e, para agravar a situação, foi registrada a primeira morte pela doença em quase 20 anos. Tais problemas geram muita preocupação à população e ao Estado, visto que em 2016 a nação brasileira recebeu um certificado da Organização Mundial da Saúde (OMS) que atestava a eliminação da circulação do vírus do sarampo no país, e em menos de 2 anos a doença reapareceu de maneira intensa.

Portanto, para garantir a vacinação dos brasileiros e impedir a morte de mais pessoas, o governo deve agir em duas frentes. No âmbito comunicacional, inspirando-se na ONG Gov Zero, do Taiwan, criadora de um portal na internet chamado “Cofacts”, onde as pessoas mandam informações dúbias e em poucas horas recebem a resposta verdadeira, o Ministério da Comunicação deve criar um aplicativo semelhante, de modo a combater as “fake news” que impedem a vacinação de muitas pessoas. Concomitantemente, na esfera educacional, o Ministério da Educação deve ampliar e investir no programa “Saúde na Escola”, fortalecendo a questão da importância e dos benefícios da vacinação para a saúde, por meio de palestras e de uma cartilha informativa que deverá ser distribuída em todas as escolas públicas do Brasil, com o intuito de incentivar a imunização e de frear a ação de doenças como o sarampo, a varíola, a rubéola, e tantas outras que ameaçam a população.