Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 01/08/2019
No começo do século XX, a Revolta da Vacina ocorreu no Rio de Janeiro, contra a vacinação obrigatória promovida por Oswaldo Cruz, já que essa nova forma de imunização era desconhecida pela população, o que causou grande insegurança. Um século depois, a realidade brasileira não se encontra muito distante. Segundo o Ministério da Saúde, desde 2015 as taxas de vacinação estão caindo vertiginosamente, o que pode ser comprovado ao observar o recente surto de sarampo em alguns Estados. Isso deve-se, ainda, à pouca informação científica circulada nos meios populares, acrescida do papel da internet na circulação de falsas notícias.
Antes de tudo, a falta de acesso a informação científica leva à incompreensão de muitos brasileiros acerca das vacinas. Uma pesquisa realizada em 2015 pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) revelou que 72% dos brasileiros não sabe o nome de nenhuma instituição científica do país, e 94% não conhece nenhum cientista brasileiro. Logo, sem referências e autoridades científicas, sem acesso à informação ligada aos processos de imunização, haverá desconfiança e espaço para informações não científicas e infundadas circularem na sociedade.
Sobre essas últimas, o advento da internet como meio de comunicação para um público cada vez maior facilitou a circulação das fake news. No ano de 2018 o American Journal for Public Health descobriu uma série de contas falsas no Tweeter que publicavam mentiras contra as vacinas no intuito de gerar debate e desconfiança. Dessa forma surgem diversos boatos, como o de que algumas vacinas contém grande quantidade de metais pesados, ou que causam autismo em crianças, o que gera um senso comum que deve ser combatido, desmentindo tais boatos.
Dessa forma, entende-se que a vacinação no Brasil precisa enfrentar impasses gerados, sobretudo, pela falta de informação correta. Sendo assim, é preciso que o MCTI aliado ao Ministério da Educação e às mídias, em especial a televisão, circule material informativo sobre o aspecto científico da ação da vacina, em linguagem simples e compreensível por todas as idades e classes, a fim de que compreendam a importância da imunização. Além disso, é de suma importância que as mídias também contribuam para desmentir os rumores anti-vacina, veiculando notícias ou com programas como o Bem Estar da Rede Globo, que trazem esclarecimento sobre temas ligados a saúde a um grande público. Assim, a nova revolta da vacina poderá, em breve, ter fim.