Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 27/07/2019

A Constituição Federal brasileira, promulgada em 1988, norma de maior hierarquia no ordenamento jurídico nacional, garante a saúde como um direito social em seu artigo 6°. Porém, percebe-se que o dispositivo legal não tem sido assegurado em sua totalidade devido aos impasses para assegurar a vacinação a população do país. Nesse contexto, dos dilemas que envolvem esse processo ocorrem, sobretudo, em decorrência de fatores sociais, sendo necessárias medidas prementes de solução.

De início, é importante pontuar como a mudança geracional de comportamento em relação à preocupação com as epidemias faz com que muitos indivíduos negligenciem o uso da vacina. Nesse viés, tal quadro pode ser percebido historicamente pelas medidas sanitaristas do médico Oswaldo Cruz, no inícios do século XX, como a vacinação contra a varíola, as quais foram responsáveis por combater doenças que assolavam a época. Dentro dessa perspectiva, com o decorrer dos anos, houve uma evolução desses métodos vacinais, os quais foram responsáveis por erradicar diversas enfermidades, criando em parte da população um imaginário de que não há, atualmente, riscos relacionados a essas patologias. Por conseguinte, muitos indivíduos negligenciam a utilização desse recurso preventivo , fazendo com que se crie bolsões de suscetibilidade, ou seja, grandes áreas vulneráveis ao contato, o que é problemático caso algum vírus ou bactéria nocivo passe a circular nesses locais.

Além disso, é válido ressaltar como as condições do sujeito na atualidade contribui para o dilema em questão. Nesse contexto, consoante o filósofo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, a contemporaneidade é uma época marcada por inconstâncias e incertezas, geradas pela falta de referências socialmente estabelecidas . Sob tal ótica, essa ausência de valores sólidos contribuiu para que os indivíduos ficassem mais propensos a conteúdos falsos , como os divulgados pelo médico britânico Andrew Wakefield, que relacionam a vacina tríplice viral ao autismo. Consequentemente, a disseminação e a aceitação dessas notícias falsas tende a fazer com que muitas pessoas se recusem a utilizar esse método preventivo,  cenário que contribui para que patologias já extintas voltem a assolar o cenário nacional .

Fica clara, pois, a urgência em coibir essa preocupante realidade. Para isso, é necessário que o Ministério da Saúde, por intermédio da Mídia, vincule campanha ,nos diversos meios de comunicação, como redes sociais, que demonstrem os riscos relacionados a volta de antigas epidemias, utilizando cenas históricas que retratem de maneira negativa os enfermos e as doenças já controladas,  a exemplo do sarampo, para que a população se atente aos riscos de negligenciar a vacinação bem como contribua para que mitigar a influência das fakes news relacionadas a esse recurso preventivo.