Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 20/07/2019
Em 1904, diante do alto número de casos de varíola no Rio de Janeiro, o médico e sanitarista Oswaldo Cruz, instituiu a chamada lei da vacinação obrigatória. Entretanto, informações sobre a necessidade e segurança dessa ação não foram transferidas a população, o que gerou vastos desafios para controlar a epidemia do começo do século XX. Não obstante, situação análoga ocorre na contemporaneidade, tendo em vista as dificuldades para assegurar a imunização ativa em todo o Brasil. Nesse sentido, deve-se analisar maneiras para minimizar esse impasse, uma vez que além de aumentar os casos de doenças atuais, à falta de vacinação também pode desencadear à volta de enfermidades erradicadas.
Em primeira análise, é importante salientar a ausência de informações verídicas acerca da prevenção como principal geradora da problemática. Á vista de tal preceito, encaixa-se a diminuição de pessoas vacinadas, decorrente de um estudo publicado em 1998 em uma reconhecida revista britânica, que relacionava a vacina tríplice viral como causadora de autismo. Tal premissa motivou vários movimentos antivacinas mundialmente, e por consequência dificultou a admissão das vacinas no corpo social. Dessa forma, é importante o controle na veiculação de notícias acerca das imunizações ativas, que muito tem se espalhado nas redes sociais como ineficaz e até mesmo como percursora de distúrbios.
Outrossim, é irrefutável que a negligência estatal diante da atual crise de vacinação é outro fator que compromete o controle de patologias. À ausência de imunizantes em determinadas regiões, além de comprometer a saúde dos próprios habitantes, também afeta as demais localidades. Esse fato ocorre porque a maioria das vacinas do calendário brasileiro exige 95% de cobertura para que a meta de erradicação seja alcançada. Ademais, o acesso ao recurso preventivo, muitas vezes, atua como coadjuvante da problemática, tendo em vista que os locais de vacinação, geralmente só funcionam em horário comercial, o que por conseguinte impossibilita que muitas pessoas não consigam ser vacinadas.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para impedir reflexos do século XX acerca da vacinação. Dessa forma, o poder público deverá, em parcerias com as redes sociais, criar um filtro que retire informações falsas sobre as vacinas da internet. Ademais, torna-se imperativo que o Ministério da Saúde, por meio de investimentos direcionados às unidades básicas e às campanhas de vacinação, amplie à cobertura nacional de imunização, com o intuito de que todas as comunidades sejam contempladas. Além disso, deverá também promover que as campanhas tenham um prazo estendido e fora do horário comercial, para que toda a faixa populacional consiga se vacinar.