Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 17/09/2019

No Brasil, em decorrência da falta de criticidade de muitos cidadãos, tornou-se corriqueira a compreensão de que a não vacinação não afeta a dinâmica atual. No entanto, embora essa perspectiva permaneça no senso comum, naturalizando esse modo de pensar, é preciso notar o quanto esse ponto de vista é ingênuo ao possibilitar que o indivíduo se isente da culpa e aponte culpados.

É um direito e um dever de cada um e do Estado. Uma das origens dessa questão é o aumento de Fake News sobre esse assunto. A volta de doenças erradicadas é uma de suas consequências. Esses entendimentos sobre o decréscimo nas taxas de imunização, mesmo que simplistas, tendem a ressaltar fatores como o aumento dos números de crianças menores de cinco anos que não estão sendo vacinadas, segundo o Ministério da Saúde. Em geral, quando a sociedade não se predispõe a assumir posturas críticas e sensatas, toda a atualização de valores fica propensa a exaltar padrões de conduta nocivos e desvirtuados que banalizam tal problema. Como se não bastasse, há de se atentar, também, à forma perniciosa como diversos segmentos sociais se comportam diante desse assunto, ao subestimar os alertas e as campanhas do governo que indicam que é uma questão de saúde pública que pode afetar a coletividade como um todo.

Por conta disso, no debate acerca da garantia de vacinação, é preciso enfatizar a urgência do investimento em um maior senso de corresponsabilidade coletiva. Dessarte, em consonância com as ideias da Teoria da Coesão Social, de Durkheim, e do poeta John Donne, não se deve perguntar por quem dobram os sinos, deve-se notar que dobram por todos. Desse modo, é possível evitar a proliferação de posturas meramente acusatórias que, além de desprezarem a atuação pouco eficaz ou inexistente de agentes públicos, também agenciam o aborto de sonhos e o assassinato de esperanças, ao passo que a partir de 2016 a meta de certas vacinas não foi alcançada, segundo dados apresentados pela BBC. Sob essa égide, mais do que se eximir da culpa para apontar culpados, os brasileiros devem atentar-se ao seu poder de ingerência e resolução.

Sem dúvidas, quando restrita a fatores inoportunos, qualquer iniciativa de aumento das taxas de imunização está fadada ao insucesso. Portanto, faz-se necessário que o Estado, por meio da união entre os Ministérios doa Saúde e da Educação com mídias sociais e televisivas, crie caminhos para desmentir as Fake News e esclareça, por campanhas e instituições de ensino, como esse é um ato que pode colocar toda a nação em risco, seja por não se vacinar ou por transmitir a doença para grupos que não puderam fazê-lo, o que garante a informação sobre a necessidade da vacina e estimula o desenvolvimento de criticidade da base ao ápice etário para inverter o paradigma atual.