Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 29/07/2019
Entre os dias 10 e 16 de novembro de 1904, uma rebelião popular, que teve como estopim uma lei de obrigatoriedade da aplicação da vacina, eclodiu na cidade do Rio de Janeiro. O evento, conhecido como Revolta da Vacina, revela como esse é um problema antigo no Brasil. E mais: revela como a falta de conhecimento, somada à ineficiência do Estado em conscientizar a população, acabam por agravar a crise ao invés de combatê-la. Nesse sentido, o acesso à informação é a espinha dorsal para garantir a vacinação dos brasileiros.
É preciso considerar, antes de tudo, o crescimento de movimentos contrários à vacinação. Em 1998, o até então Dr. Andrew Wakefield publicou um artigo na revista médica “The Lancet” relacionando a vacina trivalente viral com o desenvolvimento do autismo. A pesquisa foi comprovada como fraudulenta e o pesquisador teve sua licença cassada. Apesar disso, o acontecido marcou o início dos grupos antivacina e, com o tempo, essa ideia chegou ao Brasil. No entanto, não há qualquer respaldo científico nos argumentos utilizados e um problema de saúde pública vira questão de opinião, onde os pais decidem se querem ou não vacinar os filhos. Mas esse relativismo é extremamente nocivo à sociedade.
Além disso, o Estado tem se mostrado ineficiente em propagar o conhecimento cientificamente comprovado e se limita a promover campanhas alarmistas. De fato, é importante alertar sobre os riscos de não se vacinar e sobre os males que as doenças causam. Porém, as pessoas, no geral, têm medo do desconhecido. Se não souberem ao certo como as doenças funcionam, como as vacinas são produzidas e como são capazes de prevenir, dificilmente serão convencidas de que a vacinação é a melhor opção. Dessa forma, a conscientização da população tem de ser feita com amplo acesso ao conhecimento, com ensino básico de Biologia, além das informações mais triviais.
Portanto, é necessário que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Para garantir a vacinação dos brasileiros, o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação, em parceria com as secretarias estaduais e municipais, devem promover campanhas de divulgação científica nas escolas com a participação dos pais, por meio de palestras e atividades em grupo. Por conseguinte, a compreensão sobre o processo de prevenção deixará as famílias mais seguras, mesclando informações corriqueiras com conhecimento básico em ciência. Só assim, o Brasil não correrá mais o risco de sofrer com uma segunda Revolta da Vacina.