Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 18/06/2019
Em seu livro “A Revolta da Vacina", o historiador Nicolau Sevcenko expõe um evento histórico ocorrido na primeira república brasileira: a reforma sanitária que visava vacinar a população carioca para diminuir o número de infectados por doenças endêmicas. Entretanto, a atividade realizada de forma forçada pelo Estado, juntamente aos possíveis efeitos desconhecidos pela população, geraram pânico a essa prática. Fora da páginas, é fato que a vacinação enfrenta entraves, ainda na modernidade, que perpassam por desconhecimento popular perante sua importância bem como a propagação de falsas notícias sobre seus efeitos.
Nessa conjuntura, o conhecimento científico embasado em pesquisas, que explica o funcionamento benéfico das vacinas, não é amplamente divulgado. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo alemão Jürgen Habermas, que afirma veementemente que a democratização do conhecimento é o alicerce fundamental para a construção de uma sociedade saudável. Desse modo, por mais que campanhas de vacinação atentem sobre o calendário de vacinas, a população menos abastada não compreende, em suma, a importância biológica da vacinação, tornando esse processo mecânico e ampliando, até mesmo, desconfianças contra os efeitos colaterais desses agentes preventivos.
Por conseguinte, essa extrema falta de informações de cunho científico aumenta os malefícios das notícias falsas no que tange à vacinação. Diante disso, é válido reconhecer o pensamento do sociólogo Pierre-Lévy, que reverbera sobre as influências negativas que podem existir no ciberespaço. Dessa maneira, a colocação das campanhas anti-vacina – fomentada pelas notícias falsas que circundam a internet – criam um medo, nas populações menos informadas, sobre os possíveis malefícios da vacinação. Logo, a colocação dessas campanhas como uma das principais preocupações da Organização Mundial da Saúde – dados do Jornal O Globo – apenas alertam como a desinformação pode ser nociva as sociedades modernas.
Destarte, medidas urgem serem tomadas para resolver esse impasse. Para tanto, é mister que o Ministério da Educação e Cultura(MEC) forneça o entendimento da importância da vacinação – dentro das aulas de Biologia e Ciências - por meio de palestras de profissionais da saúde bem como atividades interativas que promovam a compreensão de como a vacina é feita e como ela atua nos organismos. Dessa forma, é passível de concepção uma sociedade sem receios contra as vacinas e que promova uma união entre conhecimento científico e manutenção da saúde humana.