Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 25/04/2019

Em 1904, na Primeira República, a população do Rio de Janeiro viu-se obrigada pelo governo a se vacinar contra a varíola, medida que, apesar de urgente, não foi discutida para com a população. Diante disso, a vacinação, no país, iniciou-se de forma autoritária, muito embora seja imprescindível para o controle de doenças fatais. Tal controle, contudo, tem-se fragmentado, uma vez que a cobertura de vacinação se encontra em declínio no Brasil, fato decorrente dos desdobramentos de um movimento antivacina, gerando desafios para garantir esse bem à população brasileira.

Em primeiro plano, o movimento antivacina, principal impasse à vacinação, é, sobretudo, fruto da descrença na ciência e do poder do viés de confirmação. No livro “Microfísica do Poder”, o filósofo Michel Foucault expõe que os saberes, como a ciência, detém de um poder capaz de regular pensamentos e formas de agir de uma pessoa ou grupo. Assim, faz-se válida a reflexão acerca de como e quanto tal poder afeta as sociedades. No entanto, a realidade da discussão do movimento antivacina pauta-se na perpetuação de boatos acerca do processo de edificação de vacinas, seus efeitos no corpo humano e sua efetividade. Nesse sentido, o viés de confirmação atua como impulsionador de tais mentiras, porque induz o indivíduo a acreditar em pensamentos já enraizados, dispensando o debate sério sobre a imunização - um desserviço à saúde pública do país.

Por conseguinte, a descrença na vacinação põe em xeque todo trabalho de erradicação de doenças, como o sarampo, diante da falta de esclarecimento da população acerca da imunização. Consoante artigo do Nexo Jornal, grande parte daqueles a favor do movimento antivacina não vacinam seus filhos, por exemplo, por não acreditar no calendário federal de vacinação. Nesse contexto, a ausência de um diálogo para com a população - a qual demonstra ignorância em relação a fatos biológicos - é impulsionadora do problema, haja vista a necessidade de se mostrar a informação correta em um cenário de bombardeamento de conhecimentos, que, muitas vezes, não são verídicos. Paralelamente, a reversão de tal contexto urge, pois o ressurgimento de doenças antes erradicadas tem ocorrido no país, como aconteceu em São Paulo, onde foi registrado casos de sarampo entre seus habitantes.

Portanto, nota-se que o maior desafio para garantir a imunização dos brasileiros é confrontar e dialogar com o movimento antivacina. Para que se reverta essa situação alarmante, cabe ao Ministério da Saúde promover o combate a boatos acerca da vacinação e o diálogo com a população, mediante palestras educativas, as quais demonstrem os efeitos das doenças já erradicadas e a importância de se vacinar contra elas, feitas por agentes de saúde nas Prefeituras-Bairro, comunidades e condomínios das cidades, a fim de que a imunização volte a crescer no cenário brasileiro.