Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 31/03/2019
No seriado de televisão, Doutor House, uma mãe recusa-se a vacinar sua filha, alegando a ineficiência dessa prevenção. Infelizmente, equívocos como esse transcendem o cenário fictício e se mostram presentes no cotidiano, o que traz obstáculos para a vacinação no Brasil. Nesse horizonte, tanto a desinformação, quanto a tênue conexão entre paciente e instituições de saúde contribuem para a manutenção dessa problemática.
Cabe destacar, primeiro, que a falta de conhecimento é o primeiro fator que dificulta a garantia da vacinação. Verifica-se isso, pois, tende-se a desencadear uma série de falácias que desincentivam a tomada dessa atitude preventiva, como a suposta culpa de determinadas vacinas pela ocorrência do autismo. Nesse sentido, inverdades como essa fortalecem o vergonhoso movimento da antivacinação, posto pela ONU entre os 10 maiores riscos para a humanidade. O problema é que, a negligência quanto a profilaxia viral pode trazer à tona patologias antes controladas, como ocorrido no Brasil com a febre amarela. Logo, verifica-se que a ignorância não é só inimiga do indivíduo contrário às vacinas, mas também da saúde de toda a sociedade.
Outrossim há, ainda, a fragilidade entre o sistema de saúde e a população. Consoante o filósofo Émile Durkheim, a sociedade se comporta como um corpo biológico, onde as partes devem interagir a fim de garantir a coesão. Nesse limiar, as unidades básicas de saúde são, em sua maioria, concentradas no atendimento espontâneo. No entanto, a população não tende a procurar espontaneamente essas instituições para realizar a imunização preventiva. Isso ocorre, pois, há insuficiência de informações, e, portanto, de incentivo à vacinação. Destarte, o “corpo biológico” poderá ser comprometido com epidemias de doenças virais tenebrosas, como a varíola e poliomielite.
Urge, pois, a fim de findar com os receios equivocados a respeito da substância, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, desmitificar as inverdades quanto a profilaxia viral, por meio da ampliação da difusão de campanhas, que não só enfatizem a necessidade da procura pelas unidades de saúde, como também disponibilizem informações que desmintam boatos a respeito das vacinas. Dessa forma, o movimento da antivacinação ficará restrito ao plano fictício.