Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 18/07/2019
A Revolta da Vacina, em 1904, no Rio de Janeiro, foi um movimento motivado pela falta de comunicação entre o povo e o Estado, resultando em uma insurreição popular contra as vacinas. Hodiernamente, a situação foi modificada e grande parcela dos brasileiros é consciente da vitalidade da vacinação para toda a sociedade. Entretanto, obstáculos como a insuficiência estatal e a insurgência de movimentos antivacinas prejudicam o amplo fornecimento da substância imunizadora, o que impede a concretização da prevenção e erradicação de doenças. Dessa forma, são primordiais ações estatais e midiáticas para a superação do conflituoso cenário.
Nesse contexto, é pertinente relacionar a diminuição dos índices de imunização à incompetência governamental em gerir as verbas públicas voltadas para a área da saúde, em face dos altos valores destinados ao setor e da baixa qualidade do serviço. De fato, em 2009, houve uma insatisfatória produção de vacinas contra a gripe suína, o que distanciou a campanha de atingir a quantidade objetivada de pessoas imunizadas, mesmo que os gastos públicos com a saúde tenham aumento entre 2008 e o ano posterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa (IBGE). Em consequência disso, ocorre o retorno de doenças antes erradicadas no país, o que põe toda a população em risco, ferindo o artigo 196 do vigente estabelecimento constitucional.
Outrossim, a atuação de movimentos antivacinas tem contribuído para a diminuição da aplicação de vacinas no Brasil, diante da agressividade da organização, a qual mesmo pequena no Brasil, já é suficiente para a classificação do grupo como uma ameaça à saúde mundial pela Organização Mundial da Saúde. Em verdade, conforme o especialista Drauzio Varella, o crescente número de cidadãos erroneamente informados sobre a questão é um dos principais determinantes na atenuação dos recentes índices. Em consequência desse pensamento parental, cerca de 30% do público-alvo infantil não foi vacinado em 2018, de acordo com o Ministério da Saúde.
À luz dessas considerações, medidas são necessárias para solucionar os empecilhos. Para tanto, cabe ao Estado a melhora do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do aprimoramento da gestão dos hospitais e postos de saúde, a fim de fornecer as condições necessárias para a imunização do povo. Ademais, os meios de comunicação, em parceria com o SUS, devem oferecer ao público informações à respeito da importância e segurança das vacinas, por intermédio do oferecimento de espaços para propagandas vinculadas ao tema, com o fito de auxiliar na conscientização da população. Assim, é possível a construção de uma nação com plena proteção contra os males físicos que podem ser barrados pela aplicação de substâncias.