Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 22/08/2019
No período colonial, uma parcela significativa da população autóctone foi exterminada devido a ausência de imunização contra as doenças trazidas pelos portugueses. Hodiernamente, com o desenvolvimento da vacinação, a sua aplicação é limitada, um cenário decorrente do defeituoso sistema público de saúde e de um pensamento social predominantemente conservador.
Primeiramente, vale ressaltar que o sistema nacional de saúde pública sempre foi administrado de forma incorreta. No período republicano, a Revolta da Vacina foi uma rebelião despertada pela insatisfação popular à nova reforma sanitária, que implementou um método violento e autoritário de aplicação geral de vacinas. Analogicamente, a atual conjuntura interna do setor de saúde ainda apresenta aspectos inconvenientes, visto que a falta de investimentos suficientes na infraestrutura dessa zona social implica um prejuízo na gestão correta de sua administração cotidiana, em que longas filas de espera no atendimento médico e a ausência de medicamentos regulares se presenciam para mais nesse contexto. Dessa forma, um sistema deficitário de saúde pública incompatibiliza a subministração de suas básicas funções sociais.
Em segundo lugar, a predominância do senso comum na ideologia social também influi nesse sistema. O caráter conservador da sociedade brasileira tendencia a predominância social do senso comum, que se refere a uma forma de pensamento que se baseia nas experiências quotidianas e aprendizados repassados em gerações familiares. Tal contexto fortalece um discurso antivacina na população, visto que o apoio preponderante às formas mais obsoletas de tratamento de enfermidades negligencia métodos modernos de medicação. Destarte, a ignorância popular em frente ao mecanismo de ação da vacina impossibilita a vacinação voluntária.
Portanto, é inegável que o atual panorama brasileiro apresenta tanto obstáculos públicos quanto sociais para garantir a imunização geral da população. É necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com o Poder Legislativo, implemente uma reforma obrigatória no sistema de saúde comunitário, por intermédio de leis que delimitem uma quantidade mínima de verba municipal para ser diretamente investida em centros hospitalares e postos de saúde dos municípios, a fim de garantir uma infraestrutura básica de atendimento médico. Outrossim, a mídia deve contribuir na informatização da população, mediante o desenvolvimento de propagandas e anúncios ministrados por profissionais da área da saúde que discutam sobre o funcionamento biológico das vacinas no corpo humano e suas vantagens em detrimento a outros métodos curativos, com o fito de estimular uma ação antojaçida popular na preferência pela vacinação.