Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 02/11/2018
A Revolta da Vacina, ocorrida no Rio de Janeiro em 1904, teve como seu estopim a imposição violenta da obrigatoriedade das vacinas. Atualmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) igualmente prevê a obrigatoriedade vacinal. Porém, na contemporaneidade, as dificuldades ainda persistem, seja pela falta de informações concretas ou pela baixa cobertura vacinal.
Mormente, o movimento antivacina é um dos principais empecilhos contra a imunização. Estes surgiram em 1998, com um artigo fraudado do médico Andrew Wakefield, que forjava a relação entre o aumento de casos de autismo e vacinação. Mesmo datando de 20 anos atrás, tal teoria ainda recebe adeptos, que por sua vez negligenciam a saúde de seus filhos, colocando-os em risco, assim como quem convive com eles. Prova disso é a emersão do sarampo: em 2016, o Brasil foi certificado pela Organização Pan-Americana de Saúde pela eliminação da circulação do vírus, porém, no ano seguinte, houve um surto nos estados de Roraima e Amazonas.
Outrossim, cabe ressaltar a sensação de segurança que se instalou na população com o desaparecimento de determinadas enfermidades. Segundo dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI), em 2017, todas as vacinas indicadas a menores de um ano tiveram um índice de aproximadamente 75%, quando a meta era 95%. Como dito pelo sociólogo Émile Durkheim: “Quando os costumes são suficientes, a lei é desnecessária. Quando os costumes são insuficientes, é impossível fazer respeitar as leis”. Assim, a crença da sociedade de que está protegida acaba invalidando a legislação vigente.
Destarte, evidencia-se a necessidade de quebrar barreiras quanto a vacinação. À mídia, cabe discutir esse problema, por meio de campanhas publicitárias que realcem a verdade sobre a vacinação e evidencie os perigos que uma pessoa não imunizada corre, assim como lembrar que negar o direito à vacina tipifica como crime. Desse modo, levando ao conhecimento da população em geral a relevância deste pequeno gesto, mas que pode salvar vidas. Afinal, como dito pelo escritor francês Charles de Saint-Evremond: “A saúde como a fortuna, deixa de favorecer os que abusam dela”.