Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 02/11/2018
O Programa Nacional de Imunização (PNI), executado pelo Ministério da Saúde desde a década de 1970, estabelece a obrigatoriedade da aplicação de algumas vacinas na população brasileira, como por exemplo, a do sarampo e da poliomielite. Entretanto, apesar desse dever – que, por consequência, também é um direito – estar garantido em lei, não é o que se apresenta atualmente no Brasil, visto que as taxas de vacinação têm diminuído a cada ano, gerando um grave problema para a sociedade brasileira. Nesse contexto, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, a qual possui um legado histórico e é sustentada pela falta de conhecimento de parte da população.
Primeiramente, é preciso atentar para o legado histórico presente na questão. Nesse viés, apesar da notória relevância na erradicação ou controle de doenças, as vacinas estão frequentemente relacionadas a questionamentos e críticas sobre efeitos adversos, sendo, inclusive, motivo de manifestações populares, como foi o caso da revolta da vacina, ocorrida no início do séc. XX. Infelizmente, o movimento antivacina ganhou força na última década, impulsionado pelas redes sociais, aqueles que são contrários à vacinação têm conseguido adeptos à campanha em uma velocidade assustadora, o que, segundo dados do Ministério da Saúde, reduziu drasticamente a cobertura vacinal no país, abrindo espaço para o ressurgimento de doenças já erradicadas.
Além disso, a resistência à vacinação encontra terra fértil no desconhecimento da população sobre o tema, aliado ao grande volume de informações inverídicas presente na internet e redes sociais, que geram uma perspectiva deturpada da realidade. Sob essa lógica, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre a vacinação, sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação do problema. Logo, faz-se necessário manter uma compreensão clara sobre a importância das vacinas tanto pela população, como pelos profissionais de saúde, além de adotar estratégias permanentes de estímulo ao uso de vacinas.
Portanto, medidas devem ser desenvolvidas para que os desafios inerentes à vacinação, no Brasil, sejam superados. Dessa forma, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação (MEC) devem desenvolver materiais educativos para serem trabalhados pelos profissionais de saúde nas escolas, centros de saúde e hospitais, por meio de oficinas lúdicas, visando fomentar debates que discutam o legado histórico da vacinação no Brasil, relacionando-o a problemas atuais, além de abastecer a população com informações atualizadas sobre vacinação, seus benefícios e os impactos causados pela falta de imunização. Assim, o Brasil poderá superar esse desafio.