Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 01/11/2018

A poliomielite é uma virose que acomete as células nervosas da medula espinhal de crianças, causando paralisia motora, - por isso também é conhecida como paralisia infantil -, sua transmissão ocorre por meio da água e de alimentos contaminados. Entre as décadas de 1960 e 1980, o Brasil registrou mais de 26 mil casos. Todavia, com os avanços das ciências médicas, foi possível desenvolver uma vacina eficaz, inaugurando um novo cenário brasileiro, que registrou o último caso em 1989. Nesse sentido, é alarmante a constatação de que uma doença antes erradicada, voltou a aparecer na atualidade, explicitando o enorme desafio para garantir a vacinação dos brasileiros.

É relevante abordar, primeiramente, que a erradicação de doenças é um dos maiores contribuintes para a negligência com a imunização. Isso decorre porque a população mais jovem cresce em um contexto livre das sequelas das patologias que foram evitadas, de modo a corroborar atitudes de menosprezo. Desse modo, o cidadão que nunca presenciou as mazelas, entende-as como algo de importância ínfima, limitadas a um passado adoecido e esquecido. Com efeito, em conformidade com as teorias do sociólogo francês Émile Durkheim, a consciência coletiva acaba por moldar um corpo social que desdenha da importância de se imunizar. Consequentemente, tais atitudes se encarnam no senso comum, que as replica para as novas gerações, levando ao reaparecimento de síndromes evitáveis, como é o caso da poliomielite, que voltou a registrar ocorrências em 2018 .

Concomitantemente a isso, a divulgação de notícias falsas é outro fator que atravanca o ato de vacinar. Nessa perspectiva, é primordial ressaltar que na atualidade vivemos em uma era globalizada, do desenvolvimento técnico-científico-informacional, de modo a bombardear os cidadãos com inúmeras informações diferentes. Assim, as populações menos instruídas e mais vulneráveis, acabam acreditando em reportagens falsas, uma vez que elas não tem base educacional para compreender o funcionamento imunológico. Em consequência disso, crianças não estão sendo vacinadas já que seus pais ou responsáveis acreditam que tal gesto pode levar ao desenvolvimento de desordens físicas ou mentais, fato que explica a baixa nas imunizações em 2017 - segundos dados do Ministério da Saúde.

Infere-se, portanto, que a falta de vacinação acarreta acarreta o padecimento do corpo social. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com ONGs, ampliar a divulgação de conteúdos informativos, por meio do repasse de verba às ONGs. Com isso, será possível viabilizar campanhas e mutirões, principalmente em bairros mais periféricos, que expliquem o funcionamento e a importância da vacinação, visto que o maior obstáculo se encontra em aconselhar a sociedade a se vacinar. A partir dessas ações, espera-se promover uma retomada dos níveis adequados de vacinação no país.