Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 01/11/2018

A Revolta da Vacina, ocorrida na cidade do Rio de Janeiro no início do século XX, foi uma rebelião resultante de um governo austero, somado a uma população desinformada, evento que culminou na aversão do povo à imunização. Sob esse prisma, hodiernamente, mesmo após avanços na medicina, o processo da vacinação encontra desafios similares aos que ocasionaram a insurreição supracitada, oriundos da omissão do Estado e do baixo esclarecimento da sociedade.

A priori, convém ressaltar que, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, em 2016, a cobertura da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) que estava estável e próxima a 100% no Brasil até 2014, caiu para apenas 85%. Dessa forma, depreende-se que as políticas públicas que visam impedir o aparecimento de doenças através da imunização se encontram defasadas. Essa conjuntura, consoante às idéias do contratualista John Locke, caracteriza-se uma violação do “pacto social”, posto que o Estado não cumpre sua função de garantir direitos essenciais ao indivíduo, tais como saúde coletiva preventiva e de qualidade.

Isocronicamente, a má formação educacional do brasileiro é fator determinante para o decaimento das taxas de cobertura vacinal e reaparecimento de surtos patológicos, visto que é generalizado o desconhecimento do modo de atuação das drogas imunológicas e seus benefícios a longo prazo. Além disso, baseado no pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo de visão de uma pessoa dependem do seu entendimento a respeito do mundo que a cerca, nota-se que muitas pessoas por desconhecerem doenças erradicadas graças à imunização, perdem a noção de importância do ato de fazê-la, acentuando ainda mais a problemática.

Visto isso, é imprescindível que o governo reverta tal contexto. Para tal, é necessário que o Ministério da Saúde aplique e monitore a nível municipal os projetos vigentes, além de promover mais visitas dos agentes de saúde às residências, para inteirar a população da importância da manutenção do cartão de vacinas, aumentando a eficiência do processo de imunização. De mesmo modo, é essencial que os Ministérios da Educação e da Cultura promovam palestras escolares elucidativas acerca dos benefícios da vacinação, bem como invistam em propagandas educativas para os meios de comunicação, aumentando, dessa forma, a conscientização da sociedade.