Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 30/10/2018

A criação do Programa Nacional de Imunização, no ano de 1973, garantiu ao povo brasileiro acesso gratuito a vacinas que foram essenciais para a erradicação de doenças graves no país, como sarampo, rubéola, e poliomelite. Hoje, quarenta e cinco anos depois, esse programa foi ampliado, e, de acordo com o Ministério da Saúde, verbas bilionárias são destinadas a compra e distribuição de vacinas. Todavia, percebe-se uma perigosa contradição: Apesar da ampliação do investimento, a cobertura de vacinação brasileira está em queda. Tal fato representa um enorme risco de saúde pública, portanto é imprescindível analisar os possíveis fatores que levaram a essa queda e meios de contorná-los.

Em primeiro lugar, a falta de informação de parte da população em relação às vacinas tem se mostrado um grande empecilho. Devido ao fato de que há doenças que não são registradas no Brasil há décadas, é possível que algumas pessoas pensem que não há riscos em evitar a vacinação, o que é um grave equívoco. Além disso, existem casos cada vez mais frequentes de pessoas que evitam as vacinas por questionar a confiabilidade das mesmas e temer reações adversas, as quais na verdade são extremamente raras.

Ademais, é válido salientar a ineficácia e precariedade dos serviços de saúde pública. A má gestão de recursos públicos em todos os níveis de governo fez com que o Brasil hoje tenha uma dívida bilionária na área da saúde, o que se reflete nas más condições de hospitais públicos e postos de saúde por todo o país. Isso claramente causa impacto na distribuição e aplicação de vacinas, principalmente em áreas afastadas de centros urbanos, dificultando o acesso de grande parte da população aos imunobiológicos. Também é perceptível uma falha no direcionamento de campanhas de vacinação, que  em sua maioria não são suficientemente informativas e impactantes para alertar o indivíduo dos perigos de abrir mão da vacina.

Diante desses fatos, é possível concluir que a desinformação da população e a falta de eficiência na gestão da saúde são sérios obstáculos impedindo o avanço da cobertura de vacinação no Brasil. Cabe ao Ministério da Saúde estudar as áreas onde houve maior queda na taxa de vacinação e destinar recursos para intensificar as campanhas nessas regiões. Tais campanhas devem ser de caráter informativo, explicando - de forma simplificada e linguagem acessível - o funcionamento das vacinas, e a importância da imunização no controle de epidemias. A divulgação deve ser intensificada através da mídia, especialmente rádio e televisão. Outrossim, o Ministério da Saúde deve destinar mais recursos para postos de saúde, unidades de atenção básica e para a compra de vacinas, para que dessa forma os serviços de imunização estejam sempre acessíveis à toda população.