Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 29/10/2018
Em 1904, o médico sanitarista Oswaldo Cruz deu início a uma série de iniciativas que tinham por objetivo, não somente, vacinar a população do Rio de Janeiro, mas também, complementar melhorias sanitárias que seriam estabelecidas na cidade, por meio de mutirões de limpeza em bairros desprovidos de estrutura sanitária. No cenário atual brasileiro, a corrupção, associada à má gestão de recursos públicos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS), tem impedido a efetividade das campanhas de vacinação contra doenças infecciosas, tais como sarampo e rubéola, uma vez que o contingente de vacinados diminuiu progressivamente, segundo o Ministério da Educação.
Primeiramente, tem sido alarmante a possibilidade de início de doenças e epidemias fatais em território brasileiro. A desinformação da população sobre a imunização, isto é, proteção que o corpo adquire por meio da aplicação de vacinas, tem contribuído para a queda na cobertura de vacinação em todo o país, o que, segundo a emissora BBC, viabiliza a formação de bolsões de pessoas suscetíveis a doenças antigas, que haviam sido devidamente controladas e erradicadas. Segundo dados do PNI (Programa Nacional de Imunização), em 2016, a taxa de imunização para a poliomielite foi a menor em 12 anos, o que denota a necessidade de maior atenção perante esse quadro, uma vez que o seu retorno seria alarmante para a população brasileira.
De maneira semelhante, a má aplicação de verbas públicas em campanhas publicitárias, voltadas à vacinação e, também, em melhorias no saneamento básico, como redes de esgoto e tratamento de água, contribui para a proliferação de doenças sobre a parcela não vacinada da população, o que dificulta a sua imunização. De acordo com o Tribunal de Contas da União, de 2002 a 2014, foram desviados R$2,3 bilhões destinados à saúde que, sem bem aplicados, reduziriam a necessidade de vacinação, uma vez que os pontos de origem e foco de doenças, como a dengue, seriam solucionadas e, consequentemente, sua ocorrência drasticamente reduzida.
Portanto, indubitavelmente, cabe ao Ministério da Saúde mitigar esse impasse, por meio da aplicação de investimentos em campanhas publicitárias, que destaquem as vantagens da vacinação, em escolas e bairros onde a estrutura de saneamento básico é precária. Assim, um maior contingente populacional será atingido e protegido, reduzindo a incidência de enfermidades pelo país. Ademais, cabe ao Ministério da Justiça investigar o desvio de recursos públicos, por meio de operações militares que busquem coibir a atuação de governantes corruptos, para que as verbas sejam devidamente destinadas a serviços de atendimento à população, como o de saúde pública, tornando-a mais protegida e mitigando o ressurgimento de patologias associadas à vacinação.