Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 31/10/2018

Prevenir para não precisar remediar

Basta analisar as pesquisas e os relatórios do Programa Nacional de Imunização (PNI) para perceber uma drástica queda no número de vacinações, principalmente as que previnem doenças com baixo índice de ocorrência e, até mesmo, erradicadas. Tal fato advém da negligência de uma parcela significativa dos brasileiros que não reconhecem que “a saúde depende mais das precauções que dos médicos” - como defendido pelo teólogo francês Jacques Bossuet - e da ausência de informações por parte do corpo social.

É possível observar que, desde sua criação por Edward Jenner, a vacina enfrenta a resistência de muitos. Nesse sentido, a desinformação, em conjunto com as notícias falsas divulgadas sobre as vacinas, causa graves consequências, uma vez que, influenciadas por mitos e inverdades que persistem durante décadas, as pessoas decidem pela não vacinação, colocando suas vidas em risco, aumentando o índice de desprotegidos e, assim, permitindo o surgimento de grupos suscetíveis - como o ocorrido em Londres, em que um médico, por conflitos de interesses, publicou um estudo que relacionava o autismo à vacina MMR (responsável por combater a rubéola, a caxumba e o sarampo), gerando uma baixa na imunização e, consequentemente, epidemias de sarampo na Europa.

Além disso, tem-se a displicência com que alguns indivíduos tratam a vacinação. Assim, devido à eficácia das vacinas, algumas doenças não pertencem mais à realidade dos brasileiros e são esquecidas e tratadas com indiferença pela população por não apresentarem riscos iminentes, no entanto, podem facilmente trazer ameaças se pararem de ser combatidas. Exemplo disso, a poliomielite - erradicada no país desde 1990 - apresenta riscos ao Brasil, já que há muitas crianças não vacinadas e expostas ao vírus, trago pelos refugiados venezuelanos.

Dessa forma, percebe-se a importância de reverter essa situação, garantir a vacinação dos brasileiros e impedir que doenças já erradicadas voltem a assolar o Brasil. Logo, cabe à mídia - em parceria com o Ministério da Saúde - a divulgação, por meio de propagandas informativas que busquem, também, desmascarar falsas notícias, do funcionamento da vacina e de seu caráter preventivo, ressaltando sua necessidade e eficiência frente ao combate de diversas doenças transmissíveis que podem chegar a causar vários óbitos, a fim de promover uma sociedade mais orientada e engajada na luta contra esses pequenos e poderosos organismos e partículas infecciosas - bactérias e vírus causadores de enfermidades.