Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 28/10/2018

No século passado, houve avanços substanciais responsáveis pela erradicação de epidemias mortais. Na contemporaneidade, algumas dessas chagas têm retornado, por conta da dificuldade em garantir a vacinação entre os brasileiros, devido à ausência governamental, bem com a mudança de mentalidade de uma parcela da população do século XXI.

Sob a perspectiva de John Locke, convém ao Estado garantir os direitos naturais, como a vida. Todavia, a prática é deturpada, haja vista os altos índices de mortalidade decorrentes de enfermidades. O baixo investimento estatal em campanhas de vacinação faz com que esse cenário não seja revertido - evidenciando o descaso com a população. De fato, isso ocorreu no Norte do Brasil, por conta da imigração de venezuelanos, a qual desencadeou num surto de sarampo. Tal calamidade ganhou grandes proporções devido à negligência do Ministério da Saúde, que mesmo ciente da baixa imunização dos nortistas, não direcionou verbas necessárias para a atenuação do problema.

Ademais, aliada à displicência estatal, atualmente nota-se a eclosão de movimentos antivacinas - tendência que tem chegado ao Brasil via virtual, principalmente. De acordo com Marshall McLuhan, o homem cria ferramentas, e as ferramentas recriam o homem. Tal fenômeno de fato acontece, haja vista o poder de transformação dos novos meios de comunicação. As redes sociais caracterizam-se como uma forte emissora de informações, muitas pseudocientíficas, responsáveis pela consolidação de uma geração retrógrada. Isso se confirma pela redução das taxas de vacinação, pois segundo pesquisas duvidosas, esses antídotos causam autismo, por exemplo.

Infere-se, portanto, que para evitar o retorno de doenças já erradicadas no passado como a rubéola e a poliomielite, compete aos Estados mudarem seus planos de governo, dando maior ênfase à saúde. É preciso que a população seja mais informada por meio da divulgação de pesquisas em perfis governamentais em diversas redes sociais, evitando a propagação de “fake news”. Além disso, cabe ao corpo social exigir tais informações, além de requerer de seus governantes o cumprimento dos estatutos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, essenciais para uma vida de qualidade, segundo Locke.