Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 28/10/2018
O ano era 1904. Contexto do Brasil República recém estabelecido. Nesse momento, o então prefeito da capital carioca, Pereira Passos, por intermédio do médico e sanitarista Oswaldo Cruz instaurou o processo de modernização e revitalização do Rio de Janeiro, o que incluiu a vacinação em massa e obrigatória de toda a população. Tal episódio ficou conhecido como a Revolta da Vacina, devido a forma com que a vacinação foi realizada, sem nenhuma conscientização e explicação sobre os seus benefícios. Hoje, o Brasil passa por um momento delicado em que devido ao surgimento de movimentos anti-vacinas a saúde de toda população encontra-se em risco, seja pela falta de informação, seja pela disseminação de “fake news” sobre possíveis efeitos colaterais.
É indubitável que a questão da vacinação é de suma importância para o bem-estar social de toda a população, contudo, a falta de campanhas eficientes e esclarecedoras que expliquem de forma simples a finalidade da vacina como importante aliada na prevenção de diversas doenças, tem feito com que várias pessoas optem por não vacinar, o que gera consequências não só para si próprio, mas também, para as pessoas ao seu redor, já que muitas dessas enfermidades são transmissíveis, como a tuberculose e o sarampo. Nesse sentido, segundo a filosofia sartreana, o homem é livre e responsável por todas as suas escolhas, sendo assim, ao recusar a vacinação causa danos para toda a sociedade.
Além disso, é cabível salientar que segundo o Ministério da Saúde, desde 2013, a cobertura de vacinação tem caído, o que ameaça criar focos de doenças que já tinham sido praticamente erradicadas. Ademais, o desabastecimento de vacinas essenciais, municípios com menos recursos para gerir programas de imunização e pais que se recusam a vacinar seus filhos são fatores que agravam tal problemática. É indiscutível que o acesso à internet trouxe inúmeras benesses à população, contudo, facilitou a disseminação de notícias falsas o que gera prejuízos ao corpo social, pois muitos não preocupam-se em checar a procedência e a veracidade das informações. Exemplo isso, é o boato de que a vacina contra o sarampo aumentaria a probabilidade de desenvolver o autismo. Resultado: uma verdadeira epidemia de sarampo em regiões com baixa cobertura vacinal.
Portanto, para que os movimentos anti-vacinação não gerem transtornos ao país, é necessário que o Governo Federal, com ações do Ministério da Saúde, alerte a população, por meio de campanhas no rádio e na televisão, sobre os riscos de não vacinar e suas possíveis implicações. Além disso, o Poder Legislativo, no papel dos deputados deve elaborar uma lei que institua a vacinação obrigatória e, concomitantemente, deve haver uma fiscalização quanto ao seu cumprimento e, caso não seja cumprida, o Judiciário deve aplicar penas de reclusão por colocar em risco a saúde e o bem-estar.