Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 28/10/2018

O avanço da medicina moderna revolucionou gradativamente o quadro de saúde pública em grande parte do mundo ocidental. Se por um lado a descoberta da penicilina como o primeiro antibiótico de uso farmacológico reduziu significamente os casos de óbitos ou lesões por infecções, por outro as vacinas favoreceram o uso da profilaxia como ação inicial contra patologias, sobretudo a partir do império napoleônico. Porém, no Brasil a interlocução entre órgãos sanitários e a população sempre foi deficitária, a exemplo da campanha obrigatória proposta pelo médico Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro que gerou uma insurreição chamada de Revolta da Vacina no século XX.

Segundo os dados do Sistema Único de Saúde, a sociedade brasileira gasta bilhões anuais com internações para tratamento de doenças previníveis por imunização. Esse valor poderia ser menor aos cofres públicos por meio das campanhas de vacinação, tal como foi a redução drástica no último século dos casos de poliomielite e sarampo no país. Contudo, ainda que a expectativa de vida do brasileiro tenha aumentado consideravelmente e tenha chegado a uma média de 76 anos de idade desde a década de 50, principalmente pelo uso de antivirais e antibacterianos, parte da população ainda não entende a importância desse tipo de prevenção.

Já nos últimos anos, evidencia-se a redução da taxa de imunização no país, principalmente em jovens entre 15 e 29 anos, segundo a Unicef e a Organização Mundial da Saúde. Nota-se, por exemplo, que essa diminuição favoreceu para que crianças brasileiras fossem sendo vacinadas ainda mais cedo, sobretudo na idade estudantil. Por isso, a vacinação contra o HPV aumentou a partir da primeira década dos anos 2000, o que despertou críticas por supostamente influenciar a maturidade sexual dos alunos precocemente. Outra vez, a dificuldade de conversa entre governo e público é percebido.

A problemática sanitária, todavia, tem sua justificativa em diversos fatores, sendo a conscientização e diálogo com a comunidade a mais importante barreira. Logo, os órgãos de saúde devem trazer junto aos jovens as campanhas de imunização através de ferramentas e aplicativos digitais, aliadas às plataformas das principais mídias sociais do país, de forma a aproveitar o tempo gasto por esse público na internet para aproximá-los do objetivo. No entanto, deve ser proposto mediante profissionais da saúde, de designers, desenvolvedores de softwares, publicitários e cientistas sociais, com intermédio direto dos diretores executivos dessas redes virtuais de comunicação, a fim de diminuir a taxa de não imunizados e aumentar a cobertura da informação para todas as camadas que tenham acesso à tecnologia informática.