Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 02/11/2018
No início do século XX, o povo do Rio de Janeiro se uniu na Revolta da Vacina, reclamando o autoritarismo das medidas sanitaristas encabeçadas pelo médico Oswaldo Cruz. Naquele contexto, o estranhamento da população era justificado pelo desconhecimento que se tinha sobre a vacina, um método novo até então. Todavia, observa-se uma onda crescente de resistência à vacinação no país nos últimos anos, agora relacionada ao comodismo frente à baixa incidência de muitas doenças evitadas pela vacina e à disseminação de notícias falsas sobre essa.
Em primeiro plano, pontua-se que, ironicamente, o sucesso que a vacinação teve no combate à diversas patologias influiu negativamente no comportamento de muitas pessoas. Analogamente aos estudos sobre a praxeologia, do economista austríaco Ludwig von Mises, segundo os quais o ser humano age em conformidade aos estímulos oferecidos pelo meio, a preocupação com a vacinação se dá no nível necessário apenas em casos de surtos, como ocorreu com a febre amarela em 2017, em que a vivência daquele cenário fomenta cuidados na população. Assim, é notável a queda na taxa de vacinação de muitas doenças que se fazem raras atualmente, como a poliomielite, justamente em decorrência desse fenômeno.
Outro aspecto que se faz presente no panorama de impasses à vacinação no país é a disseminação de notícias falsas em mídias sociais, amedrontando muitas pessoas. Sobre esse prisma, nota-se que a era digital alterou o meio de difusão de informações, o que é corroborado por uma pesquisa do Instituto Reuters, de 2016, a qual concluiu que mais de 70% das pessoas utilizam as redes sociais como fonte de notícias. Nesse contexto, a falta de fiscalização permite que as “fake news” sejam veiculadas livremente à população, trazendo consigo dados infundados que, muitas vezes, desestimulam ou mesmo abominam a vacinação.
Diante desse cenário, é evidente a necessidade de medidas que visem garantir a imunização da população por meio da vacina de maneira mais efetiva. Para tanto, é fundamental que o Ministério da Saúde busque novas abordagens para esclarecer à população sobre a necessidade ainda vigente da vacinação, integrando-se mais incisivamente às mídias sociais a título de veículo oficial, de maneira a desconstruir boatos infundados que prejudiquem as campanhas de imunização e a oferecer um meio confiável de informações que esteja incorporado aos novos paradigmas impostos pela tecnologia, qual é a alteração das fontes de notícias. Com isso, poder-se-á mitigar essa onda de desinformação que ainda se opõe à saúde pública no Brasil.