Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 27/10/2018

Em meados do século XVIII, o médico inglês Edward Jenner desenvolveu a primeira vacina do mundo. Hodiernamente, os impactos positivos dessa importante descoberta científica não são usufruídos de forma plena no Brasil, haja vista a ineficácia na garantia do amplo acesso a esse recurso, o que revela um grave desafio para a saúde pública. Nesse contexto, evidenciam-se o déficit infraestrutural e o raso conhecimento da população como motivadores desse cenário prejudicial.

A princípio, a inoperância governamental, no que tange à reposição dos estoques de vacinas é um dos principais empecilhos. Embora o país disponha do Programa Nacional de Imunização - responsável por garantir 27 tipos de dosagens-, muitos Estados falham na disponibilização desse recurso, o que compromete a segurança sanitária. Quanto a essa questão, o surto de malária na Região Sudeste, em 2017, causado, segundo especialistas, pelas políticas públicas ineficientes de vacinação da população, ilustra os reflexos da indiligência estatal perante o tema. Sendo assim, é inconcebível que a preservação da saúde do indivíduo não seja prioridade dos planos diretores.

Ademais, outro desafio é superar o frágil conhecimento sobre o assunto, de modo a combater a banalização dos riscos advindos de comportamentos negligentes. Em consonância com o pensamento da filósofa Hannah Arendt, na sua teoria sobre a “banalidade do mal”, defende que as mazelas sociais são fruto da perda do poder de questionamento do indivíduo diante de imposições ideológicas. De maneira análoga, a crescente adesão aos movimentos anti-vacinação corrobora a visão de Arendt, na medida em que o baixo senso crítico de muitos contribui para a propagação de atitudes inadimplentes. Por conseguinte, há o risco de ocorrer epidemias de doenças já erradicas no passado, a exemplo da poliomielite. Logo, é fundamental o reforço das campanhas educativas.

Fica evidente, portanto, a necessidade de retificar os entraves não coadunantes com os preceitos da Carta Magna. Para isso, convém ao Congresso Nacional aumentar o percentual de investimento na saúde, por meio de alteração da Lei de Diretrizes Orçamentárias, de modo a permitir o suprimento regular de todas as vacinas protocoladas como obrigatórias pelo Programa Nacional de Imunização. Paralelamente, o Ministério da Saúde deve fomentar campanhas de esclarecimento da população, por intermédio de peças publicitárias veiculadas na mídia televisiva e nas redes sociais para desmistificar os perigos da imunização e alertar sobre as notícias falsas. Almeja-se, com isso, salvaguardar os direitos básicos do cidadão.Aumenta-se, assim, a chance de assegurar os reflexos positivos da descoberta de Edward Jenner.