Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 28/10/2018
A Constituição Cidadã afirma que todos são iguais perante a lei, logo, todos possuem os mesmos direitos e deveres na sociedade. Diante disso, cabe ao estado ofertar saúde ao povo - por meio da elaboração de políticas públicas, como as campanhas de vacinação e a distribuição de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) -,contudo, é de suma importância que os indivíduos também contribuam para consolidar esse serviço. No entanto, ocorrem alguns entraves na efetivação desse direito, visto que houve uma queda na cobertura vacinal do País, o que evidencia que a imunização dos brasileiros não tem sido homogênea e ressalta a falha no diálogo entre cidadão e estado.
A Revolta da Vacina,ocorrida no início do século XX, foi motivada pela insatisfação popular com as medidas violentas tomadas pelo estado. Sob essa perspectiva, a falta de informação e de esclarecimento do governo com a sociedade foi um fator que interferiu, nesse contexto, na efetivação do plano de saúde público. Paralelamente, um dos obstáculos no cenário atual é a dificuldade de ofertar a imunização em todo o território de forma homogênea, principalmente, em áreas interioranas, limítrofes e em comunidades carentes, tal fator contribui para o estabelecimento de uma baixa cobertura vacinal e corrobora para o ressurgimento de doenças já erradicadas no País.
Outrossim, segundo Rosseau, filósofo iluminista, um contrato social é o acordo feito entre as pessoas e o governo com o objetivo de garantir o bem comum e de atender as necessidades coletivas. Sob esse viés, as políticas de saúde pública são fundamentadas em concordância com tal ideal, em prol da obtenção do bem-estar da sociedade. Dessa maneira, as campanhas de vacinação possuem caráter preventivo - por evitar que uma doença seja disseminada em grandes proporções - e sua oposição, por parte das pessoas, representa a atitude de romper com o acordo estabelecido, pondo em risco a segurança de toda uma população, portanto, o cumprimento dessa prática é uma ação de cunho coletivo, e não individual.
Diante da problemática apresentada é necessário que haja um engajamento mais forte por parte do Poder Público. O Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, deve investir uma maior parcela de verba pública às campanhas de vacinação. Tal financiamento deve ser direcionado a elaboração de propagandas midiáticas mais eficientes, que frizem a importância da imunização e que sejam veiculadas em horários de maior audiência, e para a realização de mutirões em praças, escolas e centros comunitários, além disso, um maior contingente de vacinas deve ser enviado aos postos de saúde, principalmente, àqueles em localidades distantes dos grandes centros populacionais.