Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 24/10/2018

Em 1904, o médico sanitarista Oswaldo Cruz deu início a uma série de iniciativas que visavam, não somente, vacinar a população do Rio de Janeiro, mas também, complementar melhorias sanitárias que seriam estabelecidas na cidade, através de mutirões de limpeza em bairros desprovidos de estrutura sanitária. No cenário atual brasileiro, a corrupção, associada à má gestão de recursos públicos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS), tem impedido a efetividade das campanhas de vacinação contra doenças infecciosas, tais como sarampo e rubéola, uma vez que o contingente de vacinados diminuiu progressivamente, segundo Ministério da Educação.

Primeiramente, tem sido alarmante a possibilidade de início de doenças e epidemias fatais em território brasileiro, pois a desinformação da população sobre os benefícios da inoculação de antígenos, que estimularão a produção de anticorpos e, consequentemente, possibilitarão maior proteção ao organismo à patologias como caxumba e febre amarela, tem contribuído para a queda na cobertura de vacinação, o que, segundo a emissora BBC, viabiliza a formação de bolsões de pessoas suscetíveis a doenças antigas, que haviam sido devidamente controladas. Segundo dados do PNI (Programa Nacional de Imunização), em 2016, a taxa de imunização para a poliomielite foi a menor em 12 anos, denotando a necessidade de maior atenção perante esse quadro.

De maneira semelhante, a má aplicação de verbas públicas em campanhas publicitárias, voltadas à vacinação e, também, em melhorias no saneamento básico, como redes de esgoto e estações de tratamento de água, contribui para a proliferação de doenças sobre a parcela não vacinada da população, dificultando a sua imunização. De acordo com o Tribunal de Contas da União, de 2002 a 2014, foram desviados R$2,3 bilhões destinados à saúde pública que, se bem aplicadas, reduziriam a necessidade de vacinação, uma vez que os pontos de origem e foco de doenças, como dengue, seriam solucionados e, consequentemente, sua ocorrência drasticamente reduzida.

Portanto, indubitavelmente, o Ministério da Saúde deve investir na ampliação de campanhas de vacinação, sobretudo, em regiões desprovidas de estruturas básicas de saúde, por meio de campanhas publicitárias em meios de comunicação, que destaquem as vantagens da vacinação e instiguem a população quanto aos cuidados que devem ser adotados para evitar a proliferação de doenças infecciosas, principalmente, aquelas cujo público acometido se encontra na infância. Ademais, cabe ao Ministério da Justiça investigar o desvio de recursos públicos voltados ao Sistema Único de Saúde, exigindo a transparência nos investimentos feitos, para que sejam convertidos em benefícios para a população, e a mitigação do ressurgimento de patologias associadas à vacinação uma realidade.