Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 23/10/2018
Em meados do século XX ocorreu a Revolta da Vacina no Rio de Janeiro, que, embora associada ao autoritarismo de Pereira Passos, revelou a falta de informação e negligência da população no que tange à imunização. No Brasil hodierno, essa situação se repete, pois, segundo o Ministério da Saúde, as taxas de pessoas prevenidas de doenças estão reduzindo, o que acarreta graves problemas à sociedade. Diante disso, vale analisar os aspectos governamentais e culturais, a fim de mitigar essa problemática contemporânea.
É preciso considerar, primeiramente, a relação entre os desafios para assegurar a vacinação e o âmbito político. Nesse viés, nota-se que a falta de intensificação das campanhas de imunização, como forma de ampliar a cobertura de acesso, é um empecilho na resolução dessa pauta, devido, sobretudo, a negligência governamental, caracterizada pela corrupção e pela ausência de investimentos. Ademais, vale salientar que muitos municípios não recebem os recursos necessários para disponibilizar os direitos do Poder. Por conseguinte, doenças que foram quase erradicadas, como a poliomelite e o sarampo, retornam ao cotidiano dos brasileiros, sendo um risco de vida à sociedade, o que mostra ser urgente a busca por soluções para atenuar essa preocupante questão.
Além disso, é válido ressaltar que a ausência de cooperação populacional com as campanhas de imunização está intimamente ligada com essa realidade. Parafraseando Max Weber, o indivíduo é o grande autor da mudança, a partir da ação social. Nesse sentido, vê-se que a nação tem ampla responsabilidade na mudança desse preocupante cenário, evitando, assim, que, de forma análoga, a negligência dos cidadães do Rio de Janeiro do século XX torne a se repetir na atualidade. Dessa forma, é nítido que os pais tem fundamental papel para assegurar que seus filhos sejam vacinados. Todavia, com a expansão das “fake news” na Era Digital, muitos familiares são influenciados por inverdades, recusando que seus parentes sejam prevenidos das patologias, o que agrave essa situação hodierna.
É claro, então, que as dificuldades na preservação da vacinação no Brasil precisam ser minimizadas. Para isso, é indubitável que o Estado, representado pelo Ministério da Saúde, amplie e intensifique as medidas públicas e as campanhas de imunização, por meio das verbas, democratizando o acesso e aumentando a área de cobertura desse direito, a fim de que municípios atendam a demanda populacional e evite a volta de doenças quase vencidas, como forma de assegurar a Constituição Federal. Ademais, as escolas devem, por meio das aulas de Biologia e de rodas de conversas com pais e alunos, instigar a reflexão sobre a importância de se prevenir e de desmistificar os mitos divulgados pelas “fake news”, para que se reduzam os desafios dessa pauta e aumente o número de imunizados.