Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 23/10/2018
No início do século XX, no contexto da República Velha, eclodiu no Rio de Janeiro a Revolta da Vacina, após ser determinada com obrigatória pelo presidente Rodrigues Alves a imunização da população contra doenças como a febre amarela e a malária, em um momento de ampla insalubridade sanitária na então capital da nação. Naquela época grande parte da população carioca, desinformadas sobre o novo método preventivo, acreditava que poderia contrair doenças por meio da vacinação. Passando mais de um século desse ignorante levante popular, muitas pessoas ainda desconfia da eficacia da vacinação e se nega a participar do processo imunológico. Esse panorama desafiador necessita de uma maior atuação cooperativa entre o Poder Público e a comunidade em geral.
De fato, não se pode negar que o Estado já atua na tentativa de estimular a vacinação no País. A título de ilustração desse empenho político e jurídico, destacam-se o Programa Nacional de Imunização, do Ministério da Saúde, e o Estatuto da Criança e do Adolescente(ECA), o qual estabelece punições para pais ou responsáveis que não conduzem as crianças para a vacinação. Todavia, mostra-se explícita a insuficiência do poder de convencimento de informes educativos governamentais para a população, os quais não têm sido capazes de sensibilizar a comunidade acerca da importância desse processo, fato que vem comprometendo a saúde pública da nação verde-amarela.
Ademais, é cada vez maior o número de famílias que, por explícita deficiência de senso crítico, cedem aos apelos sensacionalistas de fontes científicas não confiáveis para informar-se dos métodos imunológicos e que aderem a movimentos antivacinas, os quais se utilizam de redes sociais, como Facebook, para propagar inverdades sobre o processo vacinatório, a exemplo de um estudo britânico de 1998, posteriormente desmoralizado, que associava vacinas infantis ao desenvolvimento de autismo. Nesse contexto de ignorância informativa, tal adesão acrítica a esses mitos de “correntes” virtuais permite que o Brasil esteja, em plena era da informação, voltando a conviver com patologias que já eram consideradas erradicadas no País, como poliomielite, rubéola e até sarampo.
Portanto, a fim de que todos os setores sociais estejam unidos para evitar a repetição de desinformações similares às do período da Revolta da Vacina, urge que o Governo Federal massifique informes educativos sobre a importância da vacinação, por meio do redirecionamento de recursos para campanhas nas redes sociais - como Instagram, WhatsApp ou Facebook -, realizadas pelo Ministério da Saúde, que contenham vídeos didáticos os quais explicitem o real funcionamento do processo de imunização e desconstruam mitos acerca de supostos malefícios provenientes das vacinas. Para que, assim, a saúde pública no País não seja prejudicada pelo retorno de graves patologias.