Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 23/10/2018

Promulgado pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma para todo indivíduo o direito à saúde e bem-estar social. Entretanto, os desafios para garantir a vacinação dos brasileiros revelam o quão distante este país se encontra de uma realidade na qual tais garantias possuam plena expressão. De tal sorte, para mudar o quadro em questão, deve-se ponderar sobre as causas que corroboram para existência do problema.

Cabe ressaltar, a princípio, que a ineficácia comunicativa por parte dos corpos governamentais em suas campanhas de vacinação é um forte fomento à problemática. Tal afirmação encontra respaldo no fato de que apesar dos maiores investimentos em manifestações informacionais - passando, conforme afirmação do Ministério da Saúde, de R$ 33,6 milhões, em 2015, para R$ 53,6 milhões em 2017 - o números de pessoas que aderem a esse recurso de saúde continua a diminuir. Dessa maneira, contempla-se, nos idos de hoje, um paralelo com o evento histórico nacional do período da República Velha, a chamada Revolta da Vacina, na qual houve muitas pessoas com postura contrária às vacinações por conta de um diálogo deficitário entre estado e povo.

Outrossim, é indispensável pontuar o atual método educacional como um fator que também nos prende ao óbice em comento, uma vez que ele não dota o cidadão de poder de distinção entre bom e ruim. Afinal, tendo Kant razão ao afirmar que o homem é o que a educação faz dele e sendo o nosso sistema de ensino muito preocupado com o conteudismo de pouca aplicabilidade de âmbito social, formamo um adulto incapaz de encontrar a funcionalidade do que fora aprendido nas escolas e, tão pouco, de entender o que é ideal para a sua saúde. Nesse cenário, infelizmente, nos tornamos o exemplo perfeito da frase de Hegel que diz que povo é a parte da nação que não sabe o que quer.

Pode-se dizer, portanto, que a partir da análise das causas supracitadas é preciso buscar os subterfúgios que cabem à situação discutida. Para tanto, o Governo Federal deve promover campanhas publicitárias de vacinação mais eficazes, criando uma parceria entre as ONGs do país e o Ministério da Saúde para que cada organização ressalte o aspecto regional que mais chamaria atenção nas distintas regiões do Brasil. Em segundo plano - mas em igual grau de importância-, faz-se necessário a transformação da intencionalidade da grade curricular estudantil. Tal medida pode ter como agentes o Ministério da Educação e todas as suas autarquias se alinhando para a criação de um programa educacional que procure ao máximo estabelecer a ponte entre o conteúdo escolar e a realidade social, para que os adultos de amanhã tenham poder de distinção. Assim sendo, estaríamos caminhado rumo ao norte estabelecido em 1948.