Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 23/10/2018

O conceito de promoção de saúde via vacina chegou no Brasil no séc. XIX causando pânico à população. Duzentos anos depois, o que era motivo de rejeição alçou lugar de modelo de sucesso, o programa de vacinação desenvolvido no país virou produto de exportação. Entretanto, nas últimas décadas, vem se observando uma queda acentuada no número de crianças atendidas por esse serviço, a precariedade do serviço público de saúde, bem como a desinformação de setores da população são fatores que ao serem analisados ajudam a elucidar o fenômeno.

De acordo com os dados do Ministério da Saúde, de 2007 à 2016 o número de crianças imunizadas reduziu 8%, saindo de 106% para 108%. Os números são mais alarmantes ainda se for considerado o caso específico da poliomelite onde o declínio foi de 10%. O desabastecimento de vacinas essenciais e a existência de municípios com menos recursos para gerir programas de imunização podem ser apontados como motivos desse decréscimo.

Ainda, outro elemento que deve ser considerado é o aumento do movimento antivacina no Brasil. Iniciado na década de 90, tal movimento é ancorado em falta de informação especializada e pesquisas equivocadas, como a do cientista inglês Andrew Wakefield, um dos grandes contribuintes para a ignorância disseminada sobre vacinas. É válido salientar, que no país, a vacinação é obrigatória em casos recomendados pelas autoridades sanitárias, e não uma escolha individual tomada pelos pais, de acordo com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

Infere-se, portanto, que se faz necessário medidas que visem sanar os problemas apresentados, tais como: o investimento em unidades básicas de saúde promovido pelo Ministério da Saúde; a vinculação, nas mídias, de propagandas que elucidem à população quanto à segurança e à importância das vacinas; e, por fim, as escolas devem ser orientadas, pelas prefeituras, a verificar, no momento da matrícula, a caderneta de vacinação dos alunos e informar à família e às autoridades sanitárias casos de ausência de doses obrigatórias.