Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 23/10/2018
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948, assegura a todos os indivíduos o direito a um nível de vida com acesso à saúde paliativa e preventiva. Contudo, no Brasil, devido ao compartilhamento de informações falsas e à negligência estatal quanto ao processo de imunização ativa, a vacinação ainda não é garantida a todos os cidadãos. Urge, portanto, a necessidade de analisar tal realidade de modo a identificar e combater os seus impactos no cotidiano dos brasileiros, objetivando promover a universalização dessa garantia essencial ao bem-estar humano. Em primeira análise, cabe pontuar que a divulgação de informações errôneas acerca do processo de imunização configura-se como um desafio à efetivação dessa atividade. Isso acontece porque, de maneira similar ao episódio da Revolta da Vacina, ocorrido no século XX, muitos cidadãos não são orientados, mediante canais de comunicação oficiais, sobre a necessidade e os benefícios da vacinação. Desse modo, a ignorância a respeito desse procedimento faz com que pessoas mal-intencionadas divulguem dados falsos sobre as vacinas e ganhem visibilidade em meio à falta de informação. Como consequência, muitos pais – motivados pelas noções deturpadas propagadas pelas redes sociais - não levam seus filhos aos postos de vacinação e, assim, concedem espaço ao reaparecimento de doenças, como a poliomielite e a rubéola, que já haviam sido erradicadas.
De outra parte, convém frisar que a omissão governamental quanto à divulgação, orientação e oferta de vacinação apresenta-se como outro fator fundamental para o desafio à universalização dessa prática. Em consonância com o psicólogo americano Henry Murray, esse panorama decorre da necessidade que o ser humano possui, inconscientemente, de ser cuidado e de obter conhecimento. Dessa maneira, o Estado não oferece o suporte, tanto físico quanto mental, que os indivíduos necessitam para compreender e ter acesso à imunização. Por conseguinte, uma prática que deve ser garantida pelo governo, paradoxalmente, tem sua negligência motivada pela ausência de políticas públicas que instrua o contingente populacional brasileiro à vacinação obrigatória.
Depreende-se, portanto, que o Ministério da Saúde, em parceria com as mídias televisivas de grande impacto – como Rede Globo, SBT e Record – e com as redes sociais, mediante o desenvolvimento de propagandas que evidenciem os benefícios da vacinação e informem os locais e as datas de aplicação das vacinas, promova a reflexão dos adultos acerca da importância que este processo tem na vida das crianças, a fim de garantir que os responsáveis pelo público infantil levem este aos centros de imunização.