Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 29/10/2018
Saúde fragilizada
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura a todos à saúde. Entretanto, os impasses ligados à vacinação no país, como a disseminação de informes falsos e negligência estatal, impedem que parte da sociedade usufrua desse direito na prática. Com efeito, faz-se necessário pautar, em pleno século XXI, os desdobramentos dessa faceta caótica no Brasil. Em primeira análise, notícias inverídicas atuam como discurso de controle simbólico. A esse respeito, o sociólogo francês Michael Foucault defendia que as estruturas linguísticas são capazes de impor verdades aos interlocutores. Desse modo, as fontes que veiculam informações infundadas acerca das vacinas reafirmam pontos de vistas e incentivam os indivíduos a não se imunizarem, mesmo sem provas concretas. Nesse contexto, dados que circulam na mídia e internet brasileiras exercem poder sobre os cidadãos, pois toda linguagem é dotada de ideologia, segundo Foucault. Ocorre que significativa parcela da população ainda não compreende o poder do discurso.
Sob outro viés, a ineficiência governamental é obstáculo para solucionar a problemática. Nesse sentido, o filósofo alemão Karl Marx disserta sobre a inescrupulosa atuação do Estado, que assiste apenas a classe dominante. Destarte, alguns órgãos estatais - a exemplo do Ministério da Saúde - não desempenham sua função com eficácia, pois não possuem um efetivo poder persuasivo para alertar os cidadãos sobre os benefícios da vacinação, como imunização e eficiência. No entanto, é paradoxal que as questões sociais não sejam vistas com prioridade pelo poder público.
Urge, portanto, que o direito à saúde seja, de fato, assegurado, como prevê a Carta Magna de 1988. Nesse sentido, a Agência Lupa - pioneira em “fact-checking” no país - deve ensinar a sociedade a questionar a exatidão de todos os conteúdos veiculados, por meio de campanhas de aferição de verossimilhança, a exemplo do tipo de fonte e linguagem utilizadas no conteúdo a ser checado, com o intuito de que cada indivíduo se torne um verificador de informes incertos. Ao Ministério da Saúde, por sua vez, compete elaborar projetos socioeducativos, por meio de acordos firmados com laboratórios que fabricam e aplicam vacinas, com o intuito de expor ao corpo social as grandes vantagens advindas das mesmas, visando ao aumento do índice de imunizados na nação. Com essas iniciativas, poder-se-á mitigar os desafios da vacinação, e muitos cidadãos deixarão de ter, na prática, sua saúde fragilizada.