Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 22/10/2018

Por volta de 1900, o Rio de Janeiro, capital do Brasil na época, não era tão maravilhoso. Nesse contexto histórico, o sanitarista Oswaldo Cruz, foi encarregado de combater doenças que assolavam milhares de pessoas na cidade, o que culminou na Revolta da vacina. Passado mais de um século, mesmo que o país tenha evoluído, significativamente, na  profilaxia de diversas moléstias, enfrenta ainda, duros desafios para garantir a vacinação dos brasileiros, devido à ineficiência do Estado. Faz-se necessário, desse modo,  analisar as causas e as consequências a fim de encontrar possíveis soluções para esse problema.

No primeiro plano, cabe pontuar, que a epidemia de dengue, zika e chukungunya, em 2016, todas doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti, desviaram o foco do sistema de vigilância sanitária do país. Tal afirmação pode ser comprovada por dados divulgados pelo Programa Nacional de Imunização, que mostram que em 2015 a cobertura vacinal da poliomielite era cerca de 98%, já no ano seguinte caiu para menos de 85%. Nesse sentido, é inegável que a falta de capacidade do Ministério da Saúde  deixou ressurgir, bem como propagar, doenças combatidas por Oswaldo Crus no início do século XX, como a febre amarela, por exemplo, causando o retrocesso nas políticas de saúde pública.

Em consequência disso, toda população nativa e de imigrantes no Brasil sofrem com a disseminação rápida dessas doenças. Na literatura brasileira, passagens do livro Capitães da areia, do escritor baiano Jorge Amado, relatam o sofrimento causado pela varíola, popularmente conhecida como bexiga, que espalhou-se por toda a cidade de Salvador, Bahia. Desse mesmo modo, os vírus circulantes em outros países, como o poliovírus no Haiti e o sarampo na Venezuela, podem causar surtos no Brasil, pois, embora integrem o calendário vacinal, a cobertura está abaixo do recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

Logo, é mister que o Poder público tenha uma postura engajada frente a esses desafios. Nesse sentido, o Ministério da Saúde junto com as Divisões de Vigilâncias Epidemiológicas devem intensificar ações com o intuito de aumentar a cobertura vacinal, por meio de mais campanhas com dia D, bem como buscas ativas da população que ainda não está coberta. Isso pode ser feito organizando grupos de agentes de saúde, enfermeiras e técnicas de enfermagem das Unidades Básicas de Saúde da Família, que podem organizar mutirões, visitando casas em locais afastados dos centros, creches e escolas. Além disso, o Governo deve aumentar as propagandas sobre a importância da vacinação, alertando para os riscos da não adesão, a fim de sensibilizar a população. Assim, será possível evitar que episódios como os da Revolta da Vacina e o surto de “bexiga”, ocorram novamente.